domingo, 31 de janeiro de 2010

VALORES NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

Uma abordagem sobre a existência de valores relacionados com o ser do homem na história
PALESTRANTE: RAFAEL JÁCOME
INTRODUÇÃO:
É difícil e um tanto complexo falar sobre aquilo que é o homem, do sentido de sua existência, dos valores que devem ser os de uma sociedade, da educação, da política, enfim de suas abrangentes áreas, sobretudo à situação de profundas mudanças causadas pela ciência e pela tecnologia.
1 – BREVES REFLEXÕES SOBRE O VALOR
• O valor é descrito, não definido. Sua natureza aparece como quase inefável;
• O valor é a conformidade dos dinamismos do ser humano com seus fins (Armando Câmara). Ele emerge do ser, estando neste suas fontes geradoras, suas raízes existenciais.
• O valor relaciona-se com o agir do ser humano;
• O valor é a conjugação da verdade da liberdade com a exigência, com o desejo da vontade que quer o bem e clama pela sua realização;
• Emerge do âmago do sentir e dos mistérios do querer, aperfeiçoando o ser e situando-se entre o mundo da necessidade e o mundo da liberdade.
2 – ESTRUTURA DINÂMICA DA EXISTÊNCIA HUMANA
• O homem é um ser encarnado, um ser-no-mundo. Mas o mundo não exaure suas capacidades de conhecer, querer, sentir e amar;
• O homem pode pensar tudo. Pode querer tudo e por curto e raros momentos, consegue a felicidade do amor, mas não consegue retê-la;
• É um ser aberto. Todo o ponto de chegada em seu caminho significa um novo ponto de partida. Por isso, há temor, angústia, insegurança, risco, coragem, ousadia e esperança. Vive num permanente excesso e é obrigado a inventar;
O homem está sempre a procura de si mesmo. Mas, em que consiste esta procura?

Em linguagem comum procura saúde, bem-estar, paz, justiça, amor e felicidade. Esta procura não ocorre apenas no plano individual, mas toda a humanidade, tenta descobrir como é preciso comportar-se para atingir a felicidade perfeita, onde cada qual seja reconhecido pelos outros na singularidade e na plenitude de seu ser, que transcende o pensamento racional e objetivo.
Mesmo assim, quais são os motivos de nunca chegarmos à plenitude para a qual tende o nosso ser?
3 – A CRISE DOS VALORES HUMANOS NAS CIÊNCIAS
• A ciência deu ao homem um poder imenso – já não pergunta por aquilo QUE pode fazer, mas por aquilo que QUER fazer.
• O poder adquirido pela ciência e pela tecnologia é tamanho, que a vertigem e a angústia renascem com o medo de ser tragado por suas próprias obras.
4 – RACIONALIDADE E OBJETIVIDADE DAS CIÊNCIAS
• O progresso no conhecimento científico é indiscutível, trouxe inúmeras vantagens e em seu seio não só leva o germe da vida, mas também o da morte;
• As ciências, com seus métodos próprios, prometiam explicar tudo, resolver todos os problemas do homem como único meio sério de investigação, de procura. Parecia superada definitivamente a idade metafísica e religiosa;
• O homem especializou-se no fato de que sabe tudo sobre quase nada e nada sobre o todo. O homem, ele mesmo, tornou-se fragmentado, quebrado;
A ciência tem em sua essência um conhecimento fragmentário por definição. Esses aspectos importantes, mas o mistério da interioridade e do ser, no qual radica a liberdade humana, lhes permanece inacessível.
5 – O MISTÉRIO DA PESSOA HUMANA
• O mundo da racionalidade e objetividade científicas, para muitos, principalmente entre os jovens, parece absurda. Contestam, de mil maneiras, essa máquina racionalista que ameaça massacrar-nos. Vivem buscando as flores, o amor, a sujeira como expressão de revolta, a imaginação, a droga, como evasão;
• Quanto mais se desenvolvem as ciências humanas, tanto mais se distam do mistério do homem, pois, esse transcende a ordem objetiva e racional. Ela apodera-se de objetos ou idéias, não de pessoas. E essas não devem ser degradadas a objetos.
• No mistério da pessoa humana, no seu ser, funda-se o amor, a honra, o compromisso, a fidelidade e a confiança;
• No plano do ser, o homem pode surpreender sempre, mas também pode decepcionar. E o homem atual foi decepcionado e por isso é desconfiado:
  •  Desconfia dos meios de comunicação;
  •  Dos discursos;
  •  Da palavra que engana, da palavra como instrumento do poder e não da verdade;
  •  Das autoridades sem moral;
OS JOVENS - A contestação do jovem volta-se contra uma autoridade sem moral. Percebe o egoísmo, a perversidade da geração adulta e denuncia sua hipocrisia. Que moral tem o pai para dar conselhos ao filho no tratamento de sua namorada, quando este sabe que o pai tem sua amante? Manifesta-se um abismo entre os valores ensinados e os vividos.
O espaço cultural dos jovens hoje é , de modo novo, acústico e táctil. Falta-lhes a motivação para a aprendizagem visual através de livros. Trabalham em grupos, com rádio ligado a todo volume. Criam novas palavras, novos símbolos.
Tudo que é reprimido exerce sobre o jovem a fascinação do fruto proibido, o poder mágico da clandestinidade. O único caminho, para sair desta intolerância mútua, será o diálogo franco e honesto.
Ao jovem interessa não apenas o que a pessoa lhe transmite, mas o que e como ele é, não apenas o que a pessoa lhe transmite, mas o que e como ela é. O desenvolvimento científico e tecnológico privou a atual geração jovem muito do relacionamento afetivo familiar, pois, a família quase só se encontra à noite e em fins de semana.

6 – DIÁLOGO E COMUNHÃO HUMANA
• No mundo contemporâneo o tempo é linear. É medido em frações rigorosamente iguais pelo relógio no pulso de cada um.
• O bom não é o que dura, mas o novo. Os produtos mudam constantemente de etiqueta e embalagem. Exalta-se a juventude. Ninguém quer envelhecer. Não há lugar para os velhos e doentes. A idade tapeia-se com cirurgias plásticas.
• A eficácia é objetiva. O homem perde o contato direto com os semelhantes, com os seres vivos. Seu contato com os outros é objetivo, funcional.


BIBLIOGRAFIA
1 – BERGMANN, Michel, Cristianismo e Civilização Tecnológica, Petrópolis –
2 – CÂMARA, Armando, Reflexão sobre a definição do valor, em estudos
3 – HESSEN, Johannes, Filosofia dos Valores, Coimbra, Armênio Amado,
4 – ZILLES, Urbano, Ensaios sobre valores, Porto Alegre - PUCRS

Um comentário:

marcusrafael disse...

esse trabalho foi muito manero.Valeu cara:)