quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

CONSIDERAÇÕES SOBRE A INDÚSTRIA DE CERÂMICA VERMELHA - 1

HISTÓRICO E DESAFIOS
Consultor: Prof. Rafael Jácome
          A atividade da indústria da cerâmica é uma das mais antigas no Brasil, apesar das grandes dificuldades de renovação tecnológica, continua em elevado crescimento econômico em determinadas regiões beneficiadas por ambiente privilegiado para a sua produção. Os seus produtos obtidos inicialmente através do cozimento de argilas, primeiro sob o sol e, posteriormente, em fornos, historicamente iniciou-se, em lugares onde havia escassez de pedras, mas excesso de materiais argilosos para que houvesse a facilidade de fabricação e de distribuição de produtos a fim de satisfazer as necessidades da sociedade. Em vista da facilidade e abundancia de seu principal insumo – argila – os produtos cerâmicos tornaram-se logo essenciais para a sociedade e para o desenvolvimento da economia de regiões que possuíam um ambiente estratégico para essa produção. As argilas e siltes argilosos, que possuem um alto teor de minérios de ferro, por exemplo, apresentam uma cor avermelhada, motivo pelo qual originam a chamada cerâmica vermelha ou cerâmica estrutural, que consiste na formação de um grupo amplo como tijolos, blocos, telhas, lajotas, tubos entre outros materiais a partir do processo de fabricação da cerâmica vermelha.

          O processo produtivo no interior de uma indústria de cerâmica vermelha é visto relativamente simples, sendo as empresas de cerâmicas polivalentes, isto é, executam todas as etapas do processo produtivo. Os seus maiores desafios são manter o controle e à uniformidade, em razão da grande quantidade de variáveis que interferem no processo produtivo, apesar da sua simplicidade. Tendo em vista a cadeia produtiva desenvolvida na indústria de cerâmica, desde a extração até aos seus produtos finais, é errado relevar a cultura técnica por considerar o processo produtivo simples, considerando que cada operação ou etapa realizada, exerce influência na etapa seguinte e na qualidade final do produto.

          Os produtos de cerâmica vermelha são caracterizados por sua boa durabilidade e resistência mecânica, além de baixo preço, o que tem elevado as empresas a produzirem grandes quantidades, usando enormes áreas e grandes quantidades de matéria-prima. No Brasil existem aproximadamente 10.000 (dez mil) empresas distribuídas pelo país, notadamente nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Bahia, como os principais produtores. Estados como o Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte estão buscando maiores espaços no mercado nordestino.

          É um dos setores mais importante para a economia brasileira, onde em muitos municípios é a única atividade, constituindo-se num segmento econômico gerador de empregos nas regiões mais carentes do nordeste, contribuindo para fixação do homem ao campo. Apesar de sua importância para a economia, o segmento é constituído em sua maior parte por microempresas, de caráter familiar ou associativo e de baixa demanda tecnológica e com tecnologia defasada, comparada aos padrões internacionais.

          A modernização da indústria de cerâmica vermelha exige empresas competitivas, detentoras de novas tecnologias de produção e de gestão, cujas implementações requerem aportes financeiros e articulações institucionais que possam dinamizar de forma endógena e sustentável, através de parcerias entre os setores públicos e privados, o sindicato, as instituições financeiras, as universidades e outros atores que possam desenvolver ações para inserção dos produtos cerâmicos de forma diversificada e competitiva no mercado.

         Os fabricantes de cerâmica vermelha passam por um dilema: ou se adequam às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e passam a conviver de maneira mais harmônica com o meio ambiente, - com a redução da emissão de poluentes e uma exploração mais ecológica da argila - ou terão dificuldades para continuar na atividade. Pensando desta forma, algumas empresas já estão investindo em tecnologia para aumentar a qualidade dos produtos e sobreviver em um mercado de concorrência acirrada. Uma das alternativas é a substituição dos fornos tradicionais, abastecidos com lenha e óleo, pelos do tipo túnel movidos a gás e serragem. Os resultados vão de peças com maior valor agregado até a redução de poluentes.

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