sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

CORPO, ALMA E ESPÍRITO

Irmão Rafael Jácome
          Resolvi tirar algumas dúvidas sobre a relação entre “alma e espírito”, tanto confusamente usados nas pregações dos irmãos. Recorri a Wayne Grudem teólogo evangélico e notório professor de teologia sistemática. Preparei um resumo e espero compartilhar com os irmãos.
          Deus nos criou para haver a unidade entre corpo e alma, ressaltando que a Escritura ensina que existe uma parte imaterial na natureza humana. Muitas vezes as palavras alma e espírito são usadas indistintamente, por exemplo, em João 12.27; João 13.21; Lucas 1:46.47. Há uma clara evidencia de recurso poético com repetição usando palavras sinônimas,, mas diferentes.
          Wayne ainda cita que existe a intercambialidade de termos que justificam que pessoas que morreram e foram para o céu ou para o inferno podem ser chamadas de “espíritos”. Observe em Hb 12.23: 1Pe 3.19; AP 6.9 e Ap 20.4.
          Ainda pode ser observado o fato do homem ser visto como “corpo e alma’ como “corpo e espírito”: Mt 10.28; 1Co 5.5; Ti 2.26; 1Co 7.1. em todos os exemplos citados tanto a alma como o espírito refere-se a totalidade da existência imaterial de uma pessoa, de nossa existência.
          Não menciona a alma existindo separadamente do espírito, assim como que tudo que é dito que a alma faz é também dito que o espírito faz e vice e verso.
          Os tricotomistas tem dificuldades em definir qual é a diferença entre alma e espírito. Tendo em vista que a Escritura parece não permitir que tal distinção seja feita, Não é mencionado que as atividades do pensamento, do sentimento e das decisões são executadas somente pela alma. Nosso espírito também pode experimentar emoções: Atos 17.16; Jo 13.21 e Pv 17.22.
          Além disto, as funções de conhecer, perceber e pensar também podem ser executadas por nosso espírito: Mc 2.8; Rm 8.16; 1Co 2.11. Tudo isto confirma que tanto a alma como o espírito são termos usados para descrever o lado imaterial das pessoas em geral, é difícil ver qualquer real distinção no uso destes termos.
          Também não encontramos na bíblia de que o espírito é o elemento em nós que se relaciona diretamente com Deus na adoração e na oração. Veja a relação da alma em Sl 25.1; Lc 1.46. Assim como nestes trechos 1Sm 1.15; Dt 6.5; Mc 12.30, a alma pode adorar a Deus, louvá-Lo, e render-Lhe graças. Ambos são usados para falar de todos os aspectos de nosso relacionamento com Deus.
          Segundo a visão tricotomista geralmente encara-se o espírito mais puro que a alma e, quando renovado, livre do pecado é capaz de responder às sugestões do Espírito. Contudo, esse entendimento (que algumas vezes encontra lugar na pregação e nos escritos cristãos populares) não têm realmente apoio do texto bíblico. Veja 2Co 7.1; 1Co 7.34; Dt 2.30; sl 78.8; Pv 16.18; Ec 7.8; Is 29.24; Dn 5.20; Pv 16.2 (sugere a possibilidade do pecado em nosso espírito – ver Sl 32.2 e 51.10).
          Wayne Grudem conclui, afirmando: “É muito melhor entender que Jesus estava acumulando termos sinônimos para demonstrar enfaticamente que devemos amar a Deus com a totalidade do nosso ser. Igualmente, em 1 Tessalonicenses 5.23, Paulo não está dizendo que a alma e espírito são entidades distintas, mas simplesmente que, seja qual for o nome que possamos dar a nossa parte imaterial, ele quer que Deus continue a santificar-nos totalmente para o dia de Cristo".

(Grudem, Wayne – Manual de Teologia Sitemática, Editora Vida, págs. 208-211)
Rafael Jácome

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