quarta-feira, 10 de março de 2010

A NORMA SOCIAL

CONSULTOR: Rafael Jácome

        Ontem participei da reunião dos professores em greve da rede municipal de educação, quando foi iniciado um debate sobre o conceito de autonomia moral em Durkheim e em Piaget. Confesso que fiquei surpreso em encontrar professores interessados em debater sobre tal assunto e, me fez lembrar o livro da   Bárbara Freitag: Norma Social: gênese e conscientização, lido no período do meu Curso de Consultor para a ONU/FAO.

        Não tenho mais o livro, no entanto, lembro o que defendi defronte aos meus amigos professores. Segundo Durkheim o homem dá utilidade a Norma, se constituindo um sujeito autônomo, sujeito à Norma e, portanto, seja individualmente ou no grupo, ele tem que tê-la como um meio para sua socialização. Um homem sem ela é um ser associal, e que não vivendo esta realidade pode ter comportamento como o suicídio, como também momentos de anomalias. O que significa que a sociedade e a consciência coletiva são entidades morais, antes mesmo de terem uma existência tangível.

        Em Piaget o indivíduo quando alcança à autonomia moral, ele atinge o estágio de renegociação das Normas, ou seja, quando o princípio da reciprocidade do direito é desrespeitado por uma das partes, então é necessário que se tenha a renegociação. Demonstra ainda que o indivíduo tenha no contexto da elaboração das Normas, uma participação ativa, capaz de transformá-la e criar leis soberanas respeitando a maioria da vontade social. Ressalta a importância do homem de construir e reconstruir as Normas e que através da sua consciência, ele agrupando-se, pode como indivíduo gerar uma sociedade mais justa.

        Mas qual é o estágio de desenvolvimento da consciência moral é necessário para a construção da consciência organizativa?

        Quando ocorre a percepção das Normas como um instrumento de socialização, ou seja, quando o homem atinge o nível de encontrar no questionamento das Normas, uma forma participativa na elaboração de leis mais soberanas e democráticas. Seja em Weber que o homem sai da Consciência Ingênua, como em Piaget que também parte da ingenuidade à Consciência Crítica, e, portanto, da construção de novas leis que venham estruturar mais democraticamente a sociedade, o homem começa a construção da Consciência Organizativa.

        É na participação ativa da criação (ou renegociação) das Normas, que o homem interfere nos princípios tradicionais construídos pelos mais velhos. A partir do momento que ocorre a relação, inclusive entre grupos de crianças nas escolas, e se tem maior autonomia para sua atuação, constrói-se um nível de organização capaz de gerar um mundo mais igualitário e regido por leis soberanas.

        Enquanto defendia minhas idéias, me veio em mente à seguinte pergunta: “Mudando de assunto, não é hora de vocês pensarem nas famílias e nas crianças que estão fora das salas de aulas?” Neste instante criou-se uma grande ANOMIA.

DEUS É FIEL!                                                                  Rafael Jácome

2 comentários:

CARLOS DE QUEIROZ disse...

Texto muito bom, cheio de conteúdo a desenvolver diversas questões filosófico-sociológicas, como a questão da moral, muito abordada pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche, em sua "Genealogia da Moral" bem como em outras obras de sua autoria, a questão do homem em seu estado de natureza e sua posição diante da sociedade, no que encontramos posições diferenciadas em Durkheim e Weber - no primeiro, a completa conformidade do homem com a ordem social e no segundo, o homem dotado de volição mas ainda sujeito ao poder racional-legal exercido pela sociedade.
Gostei bastante do texto, pois o tema vibrante dá lugar a diversos desdobramentos teórico-práticos.

CARLOS DE QUEIROZ disse...

Já estou seguindo seu blog!

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