quarta-feira, 3 de março de 2010

OS GRAUS DE CONSCIÊNCIA DO CRENTE - 5

Irmão Rafael Jácome      A atividade capacita o sujeito
São esses os graus de Consciência do homem que aceita Jesus como único e suficiente Salvador: Consciência da presença de Deus e a Consciência de Santidade.
        O crente é chamado a ter o papel transformador, buscando primeiro às coisas do Reino de Deus e agindo como agente de renovação e testemunho de um mundo mais justo, igualitário e fraterno, formados por tementes a Deus, comprometidos com as causas do Evangelho. Jesus nos pede para sermos decisivos, de não termos compromissos ou cumplicidade com o mal, prontos mesmos a privarmos das coisas mais desejadas, se estas nos privam de possuir a Deus. Não devemos ser motivos de escândalos e não nos metermos em situações perigosas, evitando-as para estarmos diante de Deus, e a sua graça fará o resto, transformando-nos.
        Conhecemos as coisas que o mundo nos oferece, mas somos chamados a sermos “sal da terra e luz do mundo”. Saber da nossa fraqueza e ter a capacidade de identificar, com realismo, os efeitos que o mundo pode realizar em nós, assim como sobre nosso inconsciente, induzindo pensamentos, impulsos, dúvidas,... que terminam nos tirando a serenidade e a liberdade. Em outras palavras: é importante trabalhar a própria consciência.
        O chamado do crente é individual, entretanto é responsável pela santidade do próximo, pois ele responde por seus atos e seus testemunhos. Assim sendo o processo é coletivo, seja nas ações que surgem da atividade enquanto indivíduo, como em suas atividades produtivas e sociais e avança pela linha de capacitação da mensagem da Palavra, aperfeiçoando a exigência e um posterior desenvolvimento da prática social e produtiva, pela necessidade de penetrar na essência das coisas. Em Atos 2.42 encontramos: “E perseveraram na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir de pão e nas orações”.
        Comunhão significa compartilhamento, uniformidade, parceria, companheirismo com o resto da sociedade cristã; O partir do pão, provavelmente seja uma referência à Ceia do Senhor, acompanhada de uma refeição completa; a oração é estar em plena união com Deus. É esta a ação por um mundo unido “Deixe a vida do Espirito Santo produzir obras vivas de fé em você!
        O homem quando aceita Jesus, ele adquire prontamente a Consciência da Presença de Deus em sua vida, mas somente na vivência do Evangelho no seu dia-a-dia, é que acontece o amadurecimento espiritual.   
        A sua relação com Deus, com o próximo e com a sociedade depende da sua experiência e dos momentos de “capacitação”, pois viver o Evangelho não é aprendizado pela transmissão do conhecimento do indivíduo que o convidou a aceitar Jesus. Quando isto ocorre, significa que há um sujeito que transfere o seu saber a outro, buscando transformá-lo. Mas esta realidade dificulta o rompimento do seu modo de vida do passado, com a realidade transformadora do Evangelho. Partindo do princípio que é a atividade que capacita o sujeito, tem por clareza que não se ensina viver o Evangelho, tem que ser vivenciado e não existe técnica, tem que ser vivido. É capacitação!
        Ao adquirir a Consciência da Presença de Deus em sua vida, o homem se “torna um com a Trindade” e a vivência do Evangelho é o fruto do embate entre esta “unidade” e a atividade. O “ser um com a Trindade” parte do pressuposto de como diz Paulo: “já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2.20). Portanto, nesta capacitação, a atividade é quem indicará ao homem quais são as necessidades de instrumentos, de habilidades a desenvolver para executá-la, e o crente guiado pelo Espírito Santo, utiliza critérios de fé para escolher na liberdade (cresce em santidade – 1Co 7.34).
        É da prática (vivência do Evangelho) que se inicia o processo de experimentação do crente: o uso do ensaio e erro para que, aos poucos, vá percebendo a atividade e traduzindo as necessidades indicadas por ela, na busca do instrumental que permitirá transformá-lo. Assim, o próprio sujeito vai também transformando-se pela sua prática. Com isto é produzida uma síntese que se traduz na aquisição do conhecimento pelo crente, através da vivência com a atividade. A atividade, por sua vez, também se transforma sob a ação do crente (aperfeiçoando a santidade no temor de Deus - 2 Co 7,1).
       Tendo sofrido mudança, a atividade irá requerer novas habilidades do crente, o que terá seu conhecimento sobre a atividade enriquecida obrigatoriamente, cada vez que como ele manejar: ora porque se habilitou melhor a tratá-lo, ora por ele ter desenvolvido novas habilidades, dado os novos desafios apresentados pela mesma. O crente vivencia, estuda a Palavra (teoria), vivencia e torna a estudar, possibilitando ao crente a apreensão do conhecimento e a transformação da realidade em que vivem (Consciência de Santidade).

DEUS É FIEL!                                                                            Rafael Jácome

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