sexta-feira, 12 de março de 2010

PEDOFILIA: UMA CHAGA SOCIAL

Irmão Rafael Jácome
        A imprensa nacional tem dado destaque a vários casos aberrantes praticados contra crianças e adolescentes. São pais praticando atos de sadismos contra os próprios filhos, fatos de luxúria e de violência carnal, crescimento da prostituição infantil. Aliás, a exploração sexual estende-se em escala mundial, mesmo em países europeus onde o fator econômico difere da realidade de outros continentes, mas nenhum país está isento desta chaga.

        As estatísticas brasileiras do fenômeno da exploração pornográfica, assim como a violência sexual e de prostituição infantil são alarmantes. Não podemos resumir ou imputar as causas à miséria ou à má situação econômica. Entretanto, psicólogos e sociólogos insistem em atribuir o sadismo exercido sobre os filhos a profundas frustrações nos pais, devidas à vida alienante de nossos dias, e a comercialização sexual das crianças principalmente em vista do lucro.

        A verdade é que o homem contemporâneo, no próprio ato com que “domina” a natureza (e também a própria), em vez de “controlá-la”, arrisca-se a relegar a vida na dimensão da insignificância e torná-la desprezível. A insignificância da vida - que é a mais sutil forma de violência, embora ela não seja percebida como tal pela consciência de muitos – faz parceria com a perda do significado da sexualidade humana.

        O homem é um indivíduo que se define essencialmente pela sua liberdade; mas a finalidade a que livremente se propõe converge hoje amplamente para uma visão hedonista e materialista da vida. O objetivo comum e único é o da dimensão estética e hedonista de viver, tendo por finalidade a busca do prazer, concebida na “arte erótica” como normalidade ética. Tudo é claro, alimentado pela pornografia selvagem, aonde o próprio erotismo conduz à obsessão, à aberração, ao abuso contra a natureza (onde se processam o narcisismo, a masturbação, a homossexualidade), e, tendo como conseqüência a perda do significado da sexualidade humana.

        Em vários escritos insisto em dizer que a mídia quer transformar tudo em normalidade: “Tudo é possível entre quatro paredes.” Mas existe enorme diferença entre o agir sexual e a cultura hedonista. Isto porque a sexualidade na perspectiva da cultura hedonista não necessita de sentido, porque o prazer dado ou o recebido se bastam a si mesmos. O hedonismo nega a enorme riqueza emotiva do agir sexual, da criatividade amorosa que ela comporta, e da capacidade de amar no respeito e na fidelidade, ele surge de forma enganosa e muda através de uma dimensão instintiva que faz da sexualidade humana o lugar da ambigüidade e do “domínio” e revela o gosto da posse e da violência.

        As várias matérias publicadas nos meios de comunicação, inclusive a mais recente envolvendo padres católicos pedófilos no Brasil, confirmam que a cultura hedonista e a progressiva perda de significado da vida humana, da sexualidade e, da própria pessoa, tornam-se raiz determinante daquela violência sobre a infância e adolescência que todos condenamos. Precisamos resgatar nossa sociedade da infâmia da exploração sexual das crianças.

A PAZ DO SENHOR!                                                                                 Rafael Jácome

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