terça-feira, 2 de março de 2010

A POBREZA COMO REFLEXO DA SOCIEDADE IDÓLATRA - PARTE 1

 Irmão Rafael Jácome                                      Mt 25. 31- 45

       A questão da pobreza é relativa, tendo em vista que ela existe quando se supõe que os bens provenientes da natureza e do trabalho não são suficientes para satisfazer as necessidades vitais e sociais das comunidades. Portanto, é entendida em função do que a sociedade para viver e se reproduzir dispõe em termos de riqueza e dos recursos. Assim, a carência de habitação, alimentos, saúde, educação, renda, quando grande parte da população tem pouco ou não tem acesso aos bens que a sociedade efetivamente produz ou pode produzir, provoca a pobreza. Isto confirma que na história da humanidade sempre existiu pobreza no mundo e, não necessariamente é provocada pelo mau aproveitamento dos recursos naturais e humanos, mas pela desigualdade da distribuição socialmente. É a forma como se estabelece a participação dos indivíduos na distribuição do produto social. No âmbito das desigualdades sociais, manifestam-se as discriminações: há preferências pelos mais afortunados e ricos, mais estudados, mais jovens, mais belos, em detrimento dos pobres, dos idosos, das mulheres, dos negros, dos deficientes físicos. Trata-se de preconceitos sociais.

        Nesse contexto é importante aludir a mecanismos e estruturas e não apenas a atitudes pessoais. As relações sociais se objetivam em sistemas, e podem estar impregnadas de valores, mas tem uma natureza cujo conhecimento se consegue através das Ciências Sociais. Estas (as Ciências Sociais), têm uma função positiva e devem ser usadas com o devido discernimento. A inter-relação entre valores e mecanismos se apresenta diante da consciência ética do homem como uma responsabilidade. A partir desta perspectiva moral, do conhecimento científico e uma ação política inteligente, é possível enfrentar as mudanças na sociedade e transformar os condicionamentos que repercutem negativamente em suas condições. Sempre o homem esteve cara a cara com a fome, a falta de trabalho, sistema educacional deficitário, hospitais mal-equipados, transportes coletivos precários, estradas mal-conservadas, crianças abandonadas, mau uso dos recursos públicos, índices deprimentes de insalubridade, pobreza e miséria, condições desumana de moradias, subalimentação crônica, ignorância e analfabetismo e muitas outras realidades. Na verdade, o bem-estar que deveria ser de todos torna-se privilégio de poucos e estes grandes problemas que afetam a coletividade, não recebem soluções. É preciso compromissos que garantam a reestrutura sócio-econômica e que defendam os direitos humanos, com garantias da implementação de políticas sociais em favor da libertação ou da promoção social-econômico. Cultural e ambiental.

        O mundo sempre esteve imerso de problemas de todos os tipos e na complexidade da sociedade contemporânea, comporta relações de extrema desigualdade. Fruto do descaso dos governos e da exacerbada exploração capitalista, a marginalidade social alastra-se no espaço público, criando situações dramáticas, reveladores de desníveis sociais cada vez mais contrastantes, onde os atentados contra a vida geram conflitos sociais permanentes e aprofundam a tensão entre o indivíduo e a sociedade. Qual a raiz de tantos problemas?

        “A causa dessa situação de miséria é a idolatria. A sociedade contemporânea é idólatra. Um de seus grandes problemas é o de admitir a existência de ídolos em seu meio e como centro de sua existência”. Como é citado nos estudos sobre a idolatria do mercado - Ensaios sobre economia e teologia – de Hugo Assmann e Franz Hinkelammert. Eles afirmam: “Esse tema, em aparência tão antigo e ultrapassado, é paradoxalmente um dos temas mais atuais do mundo. Sinal disso são os vários estudos que se fazem, a partir de muitas perspectivas, desse tema. Mudou certamente o rosto dos ídolos, não são mais estátuas de pedra impassíveis ao sofrimento de inocentes. Hoje, os ídolos têm outras faces, outras máscaras, que fascinam e iludem com o mesmo propósito de sempre: diminuir a violência social pela escolha de uma vítima e manter o poder e a riqueza de quem representa essa divindade, ocultando a violência da situação com as ideologias”.

        Os novos ídolos fabricam a ilusão da mentira, onde manipulam os valores e pretendem manipular as pessoas. O maior canal de propagação de suas idéias, são os meios de comunicação social que, em geral, representam grupos de poder e oferece como valores o consumismo, o luxo, a busca desenfreada do prazer, a ambição pelas riquezas e a busca do poder. Há uma verdadeira inversão dos valores, criando as condições para manipular o valor mais fundamental existente: o valor da vida do ser humano, que deve ser respeitado, desde sua concepção até sua morte, sem acepção de pessoas, independentemente de sua condição pessoal, social, ou econômica. Dessa forma, as situações de injustiça acabarão sendo consideradas normais na consciência da sociedade.

        Outro aspecto que os novos ídolos fabricam é o do ocultamento das causas da miséria e opressão. Buscam-se justificativas para a manutenção do poder de determinados grupos e do seu status quo, com a criação de teorias que materializam por meio de preconceitos ou falsidades. Desviam o foco das pessoas e passam a usar as imagens da TV, da internet e do avanço tecnológico. É esta a função do mercado utilizado por quem detém o poder: “para se ocultar essa miséria, sinal de morte, apresentam-se essas multidões como vítimas necessárias para a produção de riquezas, garantia da vida de alguns. Por esse processo, que pode ser considerado uma divinização da morte, cria-se um ídolo mantido com o sangue de muitos para a “redenção” de poucos... A lei do valor aparece como a única lei válida. Deste modo, substitui-se a lei natural. Esta lei natural identificada com a Lei do Valor só conhece a vida do capital no mercado, ao qual há que sacrificar toda vida humana em caso de necessidade. Esta imposição inflexível das leis é característica dos sistemas sacrificiais idolátricos"

        Mas, nada disto muda se o homem não aceitar Jesus como o seu único e suficiente salvador. A luz dos estudos exegéticos e históricos, é sempre mais comum, na teologia, considerar que o amor de Deus se expressa na totalidade do mistério de Cristo: de sua vida terrestre, de sua mensagem sobre o Reino, de seu compromisso com os pobres, da eleição dos doze, de sua rejeição pelo povo judeu e de sua morte na cruz, de sua ressurreição e exaltação, e do envio do Espírito Santo. Jesus é o nosso caminho normativo, é objeto de nossa fé, lealdade e amor.
A PAZ DO SENHOR!                                                                                       Rafael Jácome

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