terça-feira, 2 de março de 2010

A POBREZA E O ERRO DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO - PARTE 3

Irmão Rafael Jácome
        Quando analisamos a questão sobre pobreza na ótica dos subtemas abordados nas postagens anteriores (1 e 2), podemos afirmar que é esta a chave do erro da Teologia da Libertação, dos seus teólogos e bispos da Igreja Romana: o não entendimento de que só a Bíblia é a única autoridade para todos os assuntos de fé e prática; a salvação é pela graça de Deus apenas, e que nós somos resgatados de Sua ira apenas por Sua graça; é pela fé em Cristo que Sua justiça é imputada a nós como a única satisfação possível da perfeita justiça de Deus; a salvação é encontrada somente em Cristo e que unicamente Sua vida sem pecado e expiação substitutiva são suficientes para nossa justificação e reconciliação com Deus, o Pai; e Glória somente a Deus.
        Analisemos alguns pontos da Teologia da Libertação, sem estudos aprofundados, mas explorando alguns temas defendidos pelos mesmos:
        A Teologia da Libertação e a Igreja na América Latina animada pelas reuniões de Medellin e Puebla buscavam a resposta de como ser cristão num mundo de pobres e como fazer com que a fé cristã fosse fermento de promoção e libertação humana. Era importante encontrar o equilíbrio onde a fé não se diluísse numa ideologia libertária, mas que se conservasse como a história. Leonardo Boff um dos principais teólogos da libertação, declarava que os bispos aprofundaram a opção pelo povo e pelo pobre, onde a partir do lugar do explorado analisavam a realidade sócio-econômica e religiosa, detectavam o profundo e crescente abismo entre ricos e pobres e profeririam uma palavra profética e evangélica, postulando inovações estruturais em nossa sociedade.
        No contexto da dimensão social a situação era caracterizada por Puebla de “pecado social” (n.17) e de “permanente violação da dignidade social” (n.22), a posição era o combate: “A igreja condena aqueles que tendem a reduzir o espaço da fé ávida pessoal ou familiar, excluindo a ordem profissional, econômica, social e política, como se o pecado, o amor, a oração e o perdão não tivessem aí relevância” (n.381). Na realidade a busca era “encontrar os melhores passos que conduzissem à paz da sociedade e à conversão do coração de cada homem. A consciência mais aguda do caráter oneroso do caminho, dos possíveis desvios, retrocessos e emperramentos, nos pode conferir mais humildade e temperança em nossas afirmações”. Declarava Leonardo Boff.
        Para as questões latentes dos textos de Puebla, os teólogos da libertação eram a favor da contribuição da tradição marxista na análise da realidade. Pegando carona no método de Paulo Freire do ver, julgar e agir, partia-se da percepção e análise da realidade (social). Em tese, consistia que na medida em que a consciência se torna crítica, supera o mero empirismo (descrição e justaposição dos fatos) e o simples funcionalismo (considera a sociedade a partir das instituições e das distintas funções ou disfunções) e chega a uma análise mais estrutural e dialética da realidade, de modo especial aos conflitos sociais, onde as forças produtivas questionam as relações de produção.
        Nesta medida ocorre um acercamento da racionalidade analítica desenvolvida pela tradição marxista. Convém ressaltar que “tradição marxista” era o modo de agrupar as diversas correntes do marxismo. Neste contexto existiam as Comunidades Eclesiais de Base – CEB’s, que serviam como modelo de estratégia de vivência do Evangelho, pois era lá onde os pobres se encontravam e representavam um novo nascedouro da Igreja, onde nascia a resposta de fé que o povo simples dá a Cristo e à boa-nova. Entretanto, nem todos os bispos optaram no ajuizamento da realidade social e política e das tarefas que a Igreja deveria assumir neste ambiente, nem tampouco eram favoráveis aos métodos marxistas. O escritor e filósofo italiano Umberto Eco denominava os teólogos da libertação de “Comunistas Místicos”.

A PAZ DO SENHOR!                                                                    Rafael Jácome

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