segunda-feira, 1 de março de 2010

A SANTA CEIA

Irmão Rafael Jácome
“E, chegada a hora, pôs-se à mesa e, com ele, os doze apóstolos. E disse-lhes: desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça. Porque vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus...”


“E, tomando o cálice e havendo dado graças, disse: tomai-o e reparti-o entre vós.. Porque vos digo que já não beberei do fruto da vida, até que venha o reino de Deus. E, tomando o pão e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim..”(Lc. 22,14-20)

        Nas suas palavras de despedida Jesus nos confia que ele, o revelador mandado pelo Pai, deixa-se conhecer quem o ama: “Quem me ama será amado por meu Pai. Eu o amarei e a ele me manifestarei” (Jo. 14,21). O amor faz ver. Quem ama conhece mais profundamente. O amor para com o próximo nos concede aquela luz que permite entrar no coração do outro. Quem não ama se detém nas aparências, não descobre o mundo interior de quem está ao seu lado.
        Deus que “habita em uma luz inacessível”(1Tim 6,16) se tornou visível em Cristo Jesus. “Ninguém jamais viu a Deus: o Filho Unigênito, que está no seio do Pai, este o deu a conhecer” (Jo.1,18). Em Jesus Cristo, o Eterno Pai nos acolhe com filhos seus e acolhe aos fiéis e lhes doa o Espírito do seu Filho, e eles, por causa do Espírito, o reconhecem, o amam e o chamam de Pai (Gal.4,6 e Rom.8,15).
        Deus se fez homem, e Jesus na terra tudo podia fazer. Mas, tendo passado da Trindade à vida terrena, estava na lógica do amor e permaneceu por todos os séculos nos diversos momentos de sacrifício e glória, morte e ressurreição, através da instituição da Santa Ceia. A última ceia de Jesus é a realização de todas as promessas de Deus.
        O próprio Jesus se apresenta como o verdadeiro pão descido do céu, que deve ser aceito mediante a fé: "Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim, nunca mais terá fome e o que crê em mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35). E explica como poderá ser pão de vida: “...o pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo” (Jo, 6,51). Ainda: “Este pão é o que desceu do céu para que não pereça quem dele comer. Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente” (Jo.50-51a).
        Muitas vezes, nós crentes, vivemos a nossa fé, mas sem plena consciência. Compreendemos Jesus quando ele diz algo que consola ou orienta, mas não vemos Jesus completo. As suas palavras tornam-se duras e assim como alguns dos seus discípulos, queremos abandoná-lo. Mas, Ele nos dá a vida eterna e nos ressuscitará no último dia.
        A Bíblia nos revela o quanto os primeiros cristãos eram fiéis a Jesus na atuação de suas palavras: “Fazei isto em minha memória”. De fato, diz-se a respeito da comunidade de Jerusalém: “Eles se mostravam assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, a fração do pão e as orações” (Atos 2,42.). E narrando o apostolado de Paulo: “No primeiro dia da semana, estávamos reunidos para partir pão; Paulo, que devia partir no dia seguinte, entretinha-se com eles. Prolongou o seu discurso até o meio da noite (...), depois partiu o pão e comeu; discorreu por muito tempo ainda, até à aurora. Então partiu” (Atos. 20,7-11).

        Ao participarmos da Santa Ceia nos unimos a Jesus, pois consubstancialmente Ele é presente. É o momento que produz a comunhão com os irmãos, nos torna um único corpo. Para participar da Santa Ceia, são estas as condições: acreditar na doutrina de Cristo; ser batizado; viver segundo os ensinamentos de Cristo, arrepender-se e confessar os próprios pecados para estar de coração puro; reconciliar-se com os irmãos com os quais não se estivesse em paz; estar em unidade com a igreja e desejar aquela união com Cristo e com os irmãos.

        Então reunidos na Santa Ceia, todo aquele que vive em discórdia com alguém, não se reúna convosco antes de se haver reconciliado com o próximo, de ter recebido o batismo para a remissão dos pecados e cada um examine a si mesmo antes de comer desse pão. Deus não acolhe o sacrifício oferecido por quem guarda inimizade. Exige que ele se afaste do altar e vá antes reconciliar-se com o irmão, pois não pode agradar a Deus quem ora com o coração agitado pelo ódio. Como podemos participar da Santa Ceia se negamos o perdão ao irmão? Por isto, é no vínculo da caridade que num único corpo somos unidos reciprocamente. E como tal deve ser consumida.
        A comunidade cristã, unida na Santa Ceia, pode e deve fazer aquilo que Jesus fez: dar a sua vida pelo mundo. Todas as manhãs o Espírito Santo bate à porta do nosso espírito e repete sem cessar; “Se o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a oferta ali diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com ele?” (Mt. 5,23-24). Na unidade com Deus Trino e com os irmão é  necessário participar dela frequentemente para poder dizer: “Não sou mais eu que vivo, mas Cristo que vive em mim.”(Gal.2,20).

A PAZ DO SENHOR!                                                                              Rafael Jácome

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