quarta-feira, 24 de março de 2010

SEU INÁCIO UM SERTANEJO “PÉ DE SERRA” - 01

CONSULTOR: Rafael Jácome

        Há um bom tempo atrás tive a oportunidade de fazer um trabalho social no interior da Bahia. Conheci o Seu Inácio, um homem de aproximadamente 65 anos, casado, pai de sete filhos, sendo quatro homens e três mulheres, dos quais apenas os dois mais jovens habitavam com ele e sua esposa Elza.

        Sertanejo “pé de serra”, logo cedo começou a trabalhar na lavoura com o pai. A vida sempre foi disciplinada, acordava cedo para tirar leite das quatro vaquinhas, depois cuidava da horta, traçava a terra para o plantio do feijão, e no final da manhã preparava-se para ir à escola. Do pai herdou um pequeno sítio. Gostava muito de coloquiar com as pessoas, dizia que era uma oportunidade de conhecer o mundo de forma diferente, com pessoas com inteligência mais “apurada”.

        Era tesoureiro do sindicato dos agricultores rurais da sua cidade, pertencia a um partido de esquerda e sempre permanecia com o seu radinho de pilha ligado em busca de notícias. Gostava de falar sobre a realidade do sertão: “Nós pagamos um preço muito caro pela ausência de políticos comprometidos com o povo, eles ficam lá dentro dos seus gabinetes, isolados do mundo e só aparecem de quatro em quatro anos - é igualzinho a copa do mundo, traçando seus planos para ficarem mais ricos”.

        Homem sábio distinguia bem a situação do nordestino: “desde o tempo do descobrimento do Brasil, a nossa região sempre foi alvo de espoliação pelos nossos governantes. Acredito que não se concebe pensar numa estabilidade social, mediante uma estrutura econômica falida e corrompida. Lembro-me que uma vez meu pai me levou até a cidade de Recife, para resolver um negócio dele, e fiquei impressionado com as queimadas da cana-de-açúcar. Acredito que foi a nossa primeira desgraça, pois só servia para o enriquecimento dos senhores de engenho. Coitado dos trabalhadores, viviam no subemprego, arriscando a vida, ganhando um vintém e ainda por cima, com grandes possibilidades de viverem em regime de semi-escravos. Na verdade também conheci pessoas guerreiras, lutando pelos direitos daquela gente, conheci até ex-membros da Liga dos Camponeses, assim como umas irmãs e padres ligados as comunidades de base da igreja católica.”

        Mas o que o Seu Inácio mais destacava era o desânimo das pessoas: “O pior de tudo é que o povo desiludido com tudo larga o campo e vai para o sul do país, em busca de recuperarem os seus sonhos”.

        Levando em consideração que esta conversa ocorreu nos anos oitenta, podemos dizer que o cenário é o mesmo: MUDA BRASIL! POR UM DE PAÍS DE GESTORES PÚBLICOS EFICIENTES, HONESTOS E TEMENTES A DEUS.

A PAZ DO SENHOR!                                                          Rafael Jácome

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