terça-feira, 6 de abril de 2010

O CRESCIMENTO DAS CIDADES FEUDAIS

CONSULTOR: Professor Rafael Jácome

        Diferentemente do contexto das URBIS romanas onde existiam diversas cidades com uma população superior aos 50.000 habitantes e até mesmo, localidades como Roma, Éfeso, Alexandria e Cartago com mais de 350.000 habitantes, as cidades européias da Idade Média eram geralmente muito menores, não possuíndo mais do que 1 km². A população também era muito pequena. Na média, uma cidade medieval típica tinha entre 250 a 500 moradores..

        Com as invasões dos bárbaras ocorreu o colapso comercial e reduziu-se a produtividade agrícola. O medo tomou conta do ocidente e fez com que a maior parte da população urbana do Império Romano do Ocidente migrasse para o campo, em busca dos feudos que ofereciam proteção. A população de Roma caiu de um milhão para meros 40 mil habitantes no final do século V. Neste período criou-se construções de muralhas em torno de cidades já existentes ou novas aglomerações em si. A maioria da população urbana europeia viveu dentro de muralhas até o século XV.

        Com a expansão comercial ocorrida no período feudal aconteceu o crescimento das cidades, e trouxe também conflitos entre os costumes feudais, principalmente pelas influências da igreja, dos senhores, nobres e reis que não queriam perder o poder. Eram os proprietários de terras, viviam dos trabalhos dos servos e atendiam as suas necessidades.

        Devido à dinamicidade do comércio era praticamente impossível não romper com estas estruturas fechadas e estáticas. Viver em cidades era diferente de viver em feudos, portanto, era necessário destituir o costume feudal e criar novos padrões.

        Com o objetivo de enfrentar as dificuldades da época, os mercadores formaram as “Corporações” ou “Ligas”, a fim de conquistar para suas cidades a liberdade necessária à expansão contínua. A população também se organizou e lutou pela liberdade da terra e muitas conquistas foram atingidas, como a criação dos próprios tribunais nas cidades, criando suas próprias leis, a modificação nas tarifas de impostos e a libertação das interferências das suas conquistas.

        Mas tudo acontecia aos poucos, aonde os senhores feudais vendiam parte de seus direitos aos cidadãos, até a cidade ter sua independência. Era impossível frear este fenômeno. Entretanto crescia a influência da Associação de Mercadores que exerciam forte monopólio do comércio atacado nas cidades, mantiam os estrangeiros fora de domínios de comércio de sua província e obrigavam os associados a respeitarem suas normas.

        No livro História da Riqueza do Homem de Leo Huberman atesta que as associações eram tão poderosas que contavam com mais de 100 cidades associadas. As principais funções eram: estabelecer tratados comerciais, proteger contra ataques de salteadores através dos seus navios de guerra e manter suas assembléias de governo, que elaboravam suas próprias leis.

        Estas mudanças trouxeram um novo grupo social, a classe média, vivendo de forma nova, de compra e venda. Eles detinham a posse do dinheiro, uma nova fonte de riqueza. Porém, ainda assim a maioria da população das cidades viviam na pobreza, trabalhando muito e ganhando pouco, morando em casas super-lotadas e em péssimas condições sanitárias.

A PAZ DO SENHOR!                                                              Rafael Jácome

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