terça-feira, 6 de abril de 2010

A SABEDORIA DO SABER OUVIR

Consultor: Rafael Jácome

        Certa vez estávamos reunidos em Ponta Negra (2000), esta praia maravilhosa, discutindo sobre a nossa empresa fictícia do Curso para Diretores de Laboratórios de Empresas Associativas, patrocinado pela Organização das Nações Unidas Para a Agricultura e Alimentação – ONU/FAO/PRONAGER. Éramos técnicos de vários estados do Brasil, especialistas em diversas áreas e claro, bastantes autosuficientes. Diante do contexto escrevi esta crônica, reportando nossos conflitos:
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        Estávamos todos sentados na varanda vendo as ondas e curtindo a brisa da praia de Ponta Negra. Era boquinha da noite, as atividades já tinham sido concluídas, quando de repente, caros associados, entre um colóquio e outro veio à tona as nossas Assembléias Gerais. Por pura coincidência naquele exato momento, talvez até como uma lembrança da natureza, uma onda quebra no mar e causa um enorme barulho.

        Foi um alerta, caros associados, para nos colocar no caminho do diálogo? Sim. Outrora nossas assembléias estão repletas de conflitos, chegam até levantar a suposição que a descarga emocional atinge pontos de ibope. Mas por que será que tudo isto ocorre?

        Não queremos emitir nenhuma opinião, no entanto, malgrado a impertinência de alguns sócios, é preferível nem comentar e continuarmos a contemplar a beleza das jangadas neste mar lindo. Mas, caros associados, nós queremos o melhor para a nossa empresa, então não é justo calarmos, até porque o silêncio neste instante é a arma dos covardes. Então permitam abordar este assunto, pois diante de tantas palavras às vezes mau ditas, provocam desencontros emocionais, que chocam e causam transtornos na qualidade de gerenciamento da empresa e entre os sócios.

        Precisamos talvez, caros associados, aprender um pouco mais com pessoas que pouco falam e não brigam pelo direito de voz, assim como a nossa sócia Emanuella – Assistente Social, que muitos a conhecem apenas por sua simplicidade e beleza, mas que inexplicavelmente e de supetão, ali naquele “marzão” contemplou:

        ”O homem criou muitas coisas, mas ainda não aprendeu a conviver entre si. A verdadeira sabedoria está mais em ouvir do que em falar. Sei que cada cabeça é um mundo, mas parecemos crianças; sei também que estou nesta fase de adaptação, mas não quero ter o comportamento da figura individualista, mas sei que temos a capacidade de facilitar o nosso convívio.”

        Boquiabertos permanecemos em silêncio. Silêncio que neste instante não era mais a arma dos covardes, mas daqueles que sonham por dias melhores. No entanto, caros associados chegou à hora de aprendermos a respeitar uns aos outros, de saber escutar o próximo, respeitando as suas colocações e votando-as caso necessário. “Ninguém é dono da razão” diz o dito popular, então por que passar por cima de todos para impor nossas idéias?

DEUS É FIEL!                                                             Rafael Jácome

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