sábado, 1 de maio de 2010

A GLOBALIZAÇÃO, O DIA DO TRABALHADOR E O USO DA MÃO-DE-OBRA ADULTA

Consultor: Rafael Jácome

        O mundo globalizado uniu as inovações tecnológicas às forças produtivas, tendo em vista que as máquinas ocupavam mais espaços na produção e geravam a necessidade de mão-de-obra especializada. Isso significou que muitos trabalhadores da faixa etária dos quarenta anos aos poucos eram excluídos da operacionalização e substituídos por jovens. Diversos fatores contribuíram com esse fenômeno, principalmente as questões salariais - com a contratação de jovens operários, no manuseio das novas tecnologias e na renovação do quadro funcional qualificado.



        Isso mudou o padrão do operário em nível mundial. As relações sociais e trabalhistas foram modificadas e iniciou-se a obsessão da relação Produção/Tempo. Destacando a importância do indivíduo como um ser gerador de atividades. Entretanto, para o modelo capitalista, a atividade é valorizada enquanto o trabalhador produz dentro das metas da empresa. Com essa valorização o conceito pragmático da sociedade reduziu o valor do homem à relação ao que é capaz de produzir em menor espaço de tempo.



        Quando o indivíduo deixa de produzir por motivo de doenças, invalidez, velhice, falência,... Passa a ser inútil. Erich From atesta: “A principal missão do homem em sua vida é dar luz a si mesmo, é tornar-se aquilo que ele é potencialmente. O produto mais importante do seu labor é sua própria personalidade. Pode-se julgar objetivamente até que ponto a pessoa teve êxito em sua missão, até que grau ele realizou suas potencialidades. Se falhou, pode-se reconhecer seu fracasso e julgá-la pelo que é – sua falência moral. Ainda que se saiba que as possibilidades contra a pessoa eram esmagadoras e que qualquer outra também teria fracassado, o julgamento a seu respeito permanece de pé. Se a gente compreende todas as circunstâncias que fizeram dela o que é, pode sentir compaixão para com ela; Contudo, essa compaixão não altera a validade dos julgamentos”.



        É bom esclarecer que a sociedade impõe valores para dá sentido a vida: a atividade, a experiência e o sofrimento. A observação desta relação Produção/Tempo, muitas vezes é constituída de forma cruel, levando muitas pessoas ao próprio ócio ou até mesmo ao suicídio. Ela deixa também de reconhecer as experiências das pessoas, o que elas lutaram para produzir os seus bens. O certo é que dentro do contexto do avanço tecnológico, o homem está preso aos objetivos da empresa, traçando metas para atingir o processo de planificações a pequeno, médios e longos prazos.



        A globalização encontrada nos dias atuais no mercado trouxe o esfacelamento das massas rurais e urbanas, a destruição da cultura tradicional e de sua rede local de solidariedade. O trabalhador percebeu essa mutação, ocasionando cada vez mais a multiplicação das tensões, perturbações, ansiedades e frustrações. São vítimas da exploração do consumo e da produtividade.



        O que é valorizado é tudo aquilo que é perceptível e gera resultados imediatos. Muitas das atividades encontradas em ramos culturais, como na música, poesia, pintura, artes em geral ou pequenas produções, são colocadas às margens das forças produtivas. Sem produzir, sem ser aproveitado, resta o sofrimento humano: a dor, a perda, as perguntas sem respostas e os conflitos.



        No dia internacional dos trabalhadores é essa uma dura realidade: o trabalhador depois dos 40 anos de idade encontra as portas do mercado constantemente fechadas. Além do desemprego mundial, a sociedade caminha para a exclusão por faixa etária, aumentando a saga dos “excluídos sociais”.



DEUS É FIEL!                               Rafael Jácome


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