terça-feira, 25 de maio de 2010

A JUVENTUDE BRASILEIRA – COMPARANDO AS GERAÇÕES

Consultor: Rafael Jácome


        Com base na pesquisa realizada na 1 Conferência Nacional de Políticas Públicas para a Juventude em abril de 2008, constatamos em suas respostas que não é verídico o que afirmam as correntes que sugerem apoliticismo dos jovens, desencantos em relação à política e adjetivação como “nova forma de fazer política dos jovens” um suposto afastamento dos partidos políticos – alguns sim, mas nem todos – além de orientação individualista que os afastaria de causas coletivas e extrema despreocupação com a coisa pública.

        São os próprios jovens que discordam como a mídia, a imprensa em geral os classificam como uma “geração que não participa” do momento político. Afirmam que a realidade da juventude contemporânea é diferente das décadas de 70, 80 e 90. Hoje existe uma geração de jovens com nível de participação muito maior e não restrita a militância em partidos, em melhoria salarial, na fábrica ou a militância estudantil. Os jovens hoje enfrentam uma luta mais específica, nas conquistas das interpretações que o mundo exige e demanda uma organização de juventude dinâmica, atenta ao desenvolvimento tecnológico, social, econômico e ambiental.

        Analisando o contexto histórico das gerações passadas, os jovens contemporâneos são unânimes em afirmar que não se pode omitir que foi uma riqueza muito grande de movimentos juvenis, que eram pautados pela contestação a nível mundial e que, no Brasil e na América Latina era marcada pela luta contra o regime autoritário e na luta da conquista dos ideais democráticos. “A reflexão que a nossa geração se propõe a fazer é o seguinte: Quais são os limites desse processo de redemocratização promovido pela outra geração? Ela atendeu a que classe brasileira? Na periferia a polícia é a mesma, é o mesmo autoritarismo, é o mesmo genocídio, é o mesmo rito sumário? O Estado não chegou, não há escolas, não há universidades e não há emprego.” (Grupo Focal – Juventude PT).

        Os principais argumentos citados pelos jovens atuais eram que a juventude dos anos anteriores era marcada pelo movimento político e cultural e estava pautada inicialmente por questões subjetivas, como: censura, falta de liberdade de reunião, de lutas por participações políticas e ideais culturais – e era uma sociedade de pleno emprego. A vanguarda era constituída por jovens da classe média: “Quem estava em Woodstock não era necessariamente a classe popular; não necessariamente os jovens populares que estavam sofrendo mais agudamente as mazelas da sociedade. ...no sentido mais de vanguarda, que era o movimento estudantil(Brasil), era quem estava nas universidades; a UNE que pautou a morte de Edson Luis, os grupos revolucionários que entraram na clandestinidade eram da classe média, apesar da juventude estar presente naquela grande marcha pela família, pela ordem.” (Grupo Focal – Juventude PT).

        Já para o Grupo Focal – Jovens do PMDB é necessário  buscar o exemplo das gerações anteriores: “Em outras épocas, a juventude teve um papel decisivo na história deste país. Muita gente foi para a rua e lutou contra o militarismo. Hoje está faltando àquela vontade, aquele sonho, falta àquela meta de tentar mudar alguma coisa. Para a nossa juventude está faltando vontade. Isso tem que ser mudado. Trazer bandeiras para os jovens, trazer de novo perspectivas, sonhos.”

DEUS É FIEL!                                               Rafael Jácome

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