segunda-feira, 10 de maio de 2010

LIÇÕES DOS “ENTAS” NO CONTEXTO DOS “CICLOS EVOLUTIVOS” DA HUMANIDADE

Irmão Rafael Jácome


        O título é estranho, mas a mensagem deste artigo comunga a realidade de todos que superam os quarenta, os cinquenta, os sessenta, ...os noventa anos de idade. A faixa etária dos homens e mulheres adultas, com experiências e testemunhos de vitórias e derrotas. Marcados pelas lições da vida, refletem a dinâmica dos seus ensinamentos, dúvidas, emoções, frustrações, ambições, alegrias e tristezas, mas caracterizados pela vivência de cada ciclo evolutivo na trajetória história de cada um.

        Eis um termo que pode bem definir o núcleo deste pensamento: “Ciclo Evolutivo”, isto é, as etapas que formam o patrimônio histórico de cada um de nós, contextualizados nos grupos dos “ENTAS”. Defino que são quatro os ciclos que marcam a nossa experiência de vida: a primeira quando ainda somos jovens. Costuma-se definir suas características como a fase dos sonhos, de perseguir o sucesso, demonstrar nossas capacidades, de não temer os desafios e encará-los de “frente”. Ter no sucesso a recompensa, o status e a afirmação do poder.

        O nosso segundo ciclo ocorre quando entramos na fase dos “ENTAS”, onde ocorrem as transformações em nossas vidas. O sucesso passa a ser um meio para um fim, ou seja, existe a busca da resposta para “aonde chegaremos?” Procuramos a estabilização, o acúmulo de projeção, bens, fama, dinheiro, em busca do conforto e estabilidade de vida. O amadurecimento impõe novos padrões e formas de interpretação da vida.

        Entretanto, percebemos que devido à complexidade da vida e de sua relação intrínseca com o mundo, ninguém consegue tanto poder para conquistar todos os sonhos. Isso caracteriza a terceira etapa do nosso ciclo evolutivo. Isso é um fato real, basta analisar os exemplos dos grandes personagens históricos, tais como Júlio César, Alexandre – O Grande, Hitler e tantos outros que buscaram o poder, mas acabaram sentindo a frustração de não atingir suas metas.

        A quarta e a última fase é a própria psicologia moderna que reluta em afirmar que o homem para confirmar suas vitórias ou derrotas, utiliza dois padrões de níveis psicológicos: o dos que dizem “A CULPA É MINHA” e traz para si todas as consequências, e o outro formado por aqueles que dizem “A CULPA É SUA” e coloca todas as consequências para os outros.

        Em todo o “Ciclo Evolutivo” as relações com o meio determinam o grau de sabedoria do homem. Ele(a) pode ter sido contemplado com vitórias contínuas e não ter conhecido o fracasso; ou pode ter tido grandes vitórias, acompanhadas ou recheadas de enormes derrotas; ou ainda, por grandes vitórias que são hoje palcos das desastrosas derrotas, que o levam para se sentir impotente e frustrado.

        Existem duas leituras com personagens distintas que podem ajudar na interpretação deste meu pensamento: Fausto, do poema dramático do poeta alemão Goethe, que conta a história de um homem que vendeu sua alma ao diabo, em troca de um só momento tão maravilhoso que o faça dizer: “deixe que este momento se prolongue, pois ele é tão bom”. O outro é extraído do livro Eclesiastes, um pregador que se volta às suas observações sobre o fim igual para criaturas diferentes. Tanto homens como animais enfrentam a mesma morte e vão para o mesmo lugar: a sepultura.

        Ambos viveram de formas diferentes as características dos “Ciclos Evolutivos”: a mesma mesmice, a vaidade das possessões, da sabedoria, do trabalho, das riquezas, das desigualdades na vida, nos trabalhos sem recompensa, do tempo determinado para tudo – nascer e morrer, de não conhecer o seu tempo determinado. Entretanto, descobriram que o sentido e o verdadeiro prazer da vida não podem ser determinados pelo intelecto humano, mesmo que se esforce em descobrir essa tarefa dia e noite.

        Existe uma diferença crucial entre ambos: um vendeu sua alma ao diabo, o outro confiou sua vida ao Senhor. O pregador de forma enfática finaliza como que finalmente entendeu as etapas do “Ciclo Evolutivo” da humanidade: “Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más”(Ecl 12.14).

        Finalizando, na frase de saudação deste meu precioso blog está o segredo de tudo: “Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da mulher grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas” (Ecl 11.5).

DEUS É FIEL!                                  Rafael Jácome

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