sexta-feira, 7 de maio de 2010

O DESAFIO EDUCACIONAL BRASILEIRO

Consultor: Professor Rafael Jácome


        O Brasil é um país de expansão continental onde sua complexidade contribui para a criação de estruturas caracterizadas de exclusões sociais, discriminações, desigualdades e vulnerabilidades. Não é herança dos governos atuais, mas resultantes de um longo processo histórico, em que vários grupos não conseguiram se beneficiar do desenvolvimento que ocorreu no país.

        Esse aspecto não se resume à sua dimensão mais dramática e conhecida exemplificada pelo problema dos meninos de rua. Esse é, sem dúvida, um problema importante, mas não esgota o horizonte de problemas sociais e educacionais que o país tem que enfrentar.

        Em visita a uma das unidades do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil – PETI da cidade de Parnamirim, constatei um drama lamentável, porém real: As crianças estão sendo aprovadas em suas séries do Ensino Infantil e chegam ao sexto ano (10 a 11 anos) sem ter conhecimento das letras do alfabeto. Conhecia as dificuldades, porém não sabia da realidade. Apesar da visita ter sido em apenas uma das 10 unidades do Programa daquela cidade, as professoras, a diretora e os próprios pais testemunharam a deficiência das crianças e afirmaram que o quadro se estende a demais.

        A professora Ana com experiência de sete anos no projeto fez o seguinte comentário: “Estou preocupada com o futuro do país e destes alunos. É impressionante quando eu peço alguma informação para eles, tais como: Você sabe o nome do seu pai? Eles respondem prontamente –‘ sei, é João!’ João de quê? Eles olham para mim e não respondem. Continuo e pergunto: sabe escrever o nome dele? Quase todos não sabem escrever ou possuem grandes dificuldades. Eles simplesmente apenas copiam,  isto é, colam no caderno o que escrevemos no quadro, mas não sabem ler e nem escrever. Quando convoco os pais, geralmente eles também são analfabetos ou semi-analfabetos. Como podem ajudar nas atividades escolares dos filhos? Professor Rafael, o que falam nas propagandas que a nossa educação melhorou é MENTIRA”.

        O governo anunciou que houve uma redução enorme no número de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza, uma melhor distribuição de rendas e melhoria da qualidade de vida da população. Tudo muito bonito, entretanto, pagamos um preço alto pela má formação educacional das nossas crianças de baixa renda. As verbas existem, as pessoas comprometidas em contribuir também e a população exige a transformação do ensino infantil brasileiro. Enquanto isto, três escolas do sistema de ensino do estado foram fechadas em Natal por falta de alunos.

        Quando Fernando Henrique Cardoso assumiu o seu primeiro mandato ele afirmou: “O Brasil não é um país subdesenvolvido. O Brasil é um país injusto”. Foram oito anos de governo. O atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva no final do ano entrega o governo após oito anos de mandato. O BRASIL CONTINUA UM PAÍS INJUSTO.

DEUS É FIEL!                            Rafael Jácome

3 comentários:

Blog na Pedagogia disse...

Olá professor Rafael!! Ao ler seu texto e como pedagoga, só me resta lamentar e concordar com você e com a professora Ana. Realmente nossa educação é fruto de uma história. Hoje, várias ações estão sendo feitas para tentar reverter este quadro. No entanto ainda não conseguimos. Vivo esta realidade numa escola pública, onde é oferecido aulas de reforço, oficinas através do Programa Mais Educação,, sala multifuncional para crianças com necessidades especiais, entre outros. Porém precisamos da parceria da família, que precisam se conscientizar de sua importância neste processo. A solução para o nosso país é, sem dúvida, educação.
Continuaremos lutando.
Abraços,
Cláudia Rademacher

rariosvaldo disse...

Professor Rafael, li o seu artigo sobre "O Desafio Educacional Brasileiro". Sou pedagogo e leciono em uma escola pública e quando escolhi esta profissão eu acreditava numa educação séria e comprometida com a sociedade. Mas a cada dia percebo que existem duas esferas importantes que contribuem para o fracasso da nossa educação: o sistema governamental não consegue implementar os recursos destinados a educação de forma eficiente, devido as políticagens absurdas e corruptas que se fazem com o nosso dinheiro, há sempre a figuira do líder político que interfere e acaba por manobrar os recursos com fins políticos e por outro lado a família já não acredita na escola pública e é claro que esta sofreu uma terrível mudança no que se refere no modelo de famíluia atual; uma família desestruturada e acomodada na sua grande maioria, filhos sem apoio moral e sem ambiente que proporcione uma postura positiva em relação a escola. o que acontece de fato são conflitos existentes entre o modelo educacional e o modelo social influenciado pela libertinagem e uma mídia sem sensura que contribui de forma estravagante para a desmoralização huma na formação das novas gerações. eu particularmente nem sei se haverá tempo de salvar a educação. No entanto como educador não posso deixar de acreditar na importância da educação para transformação de um povo que pensa e sabe o faz.
Grande abraço;
Francisco Rariosvaldo de Oliveira.

kelly freire disse...

Olá professor Rafel é grande tristeza que tenho de concordar de que o Brasil realmente um país injusto.Trabalho com reforço escolar em uma escola do manicipio,atendo os alunos dos 3º, 4ºe 5ºanos e os casos são gritantes,há alunos que não sabem nem escreverem seu primeiro nome sem ajuda.Lamento bastante estes casos,porém faço tudo que posso par ajudar estes alunos,e o melhor de tudo é que consigo desenvolver uma metodologia para ajudá-los,tudo isso é muito gratificante,principalmente quando é alcançado os objetivos propostos.
Não podemos e nem devemos somente lamentar temos que lutar e contribuir para melhorar a defasagem da Educação Brasileira,só assim teremos realmente um ensino de qualidade.
ABRAÇOS!!!
att:Kelly Aparecida