quinta-feira, 6 de maio de 2010

A ORDEM SOCIAL E A NOVA ORDEM MUNDIAL PÓS-GUERRA FRIA

Consultor: Professor Rafael Jácome




        O aluno Carlos Rangel fez uma pergunta sobre o significado do termo ORDEM SOCIAL e ainda pediu para que eu abordasse sobre o novo contexto mundial Pós-Guerra Fria. Agradeço ao nobre discente por me incentivar a escrever algo tão importante para o entendimento histórico desta Nova Ordem Mundial após o fim da URSS, nos anos iniciais da década de 90.



        O termo ORDEM SOCIAL possui vários significados relacionados entre si. Se combinássemos todos eles, poderíamos definir que todo sistema social é uma ordem social que inclui algum grau de ordem social que é mantida através da ordem social. Trocando em miúdos ela pode ser relacionada com a COESÃO social, às vezes como sinônimo de controle social, de meios institucionais e de outros métodos usados para assegurar que indivíduos obedeçam a normas e sustentem valores. Por fim, refere-se aos padrões relativamente previsíveis de comportamento e experiência que caracterizam a vida nos próprios sistemas (organização social).



        Passemos então para a questão da Nova Ordem Mundial Pós Guerra Fria. Você sabe o que aconteceu entre 1889 e 1991? O que mudou tanto o mapa do mundo? Com certeza se eu conseguir responder a estas questões, poderemos começar a entender este momento histórico. Foi neste período que uma das duas superpotências militares desapareceu. Em seu lugar, surgiram 15 repúblicas independentes, das quais a Rússia é a mais importante. Os países de governos socialistas que formavam o leste europeu, desmoronaram sem o eixo da URSS: Alemanha Oriental, Bulgária, Tcheco-Eslováquia, Hungria, Polônia, Romênia e Albânia.



        É bom sempre lembrar que a Europa socialista formou a fronteira mais importante da Guerra Fria. A partir dos anos 40 o leste europeu copiou o sistema soviético de economia estatizada, com ênfase na indústria pesada, constituição de serviços gratuitos de saúde, educação e transporte. O único partido legal existente era o Comunista e faziam parte do Pacto de Varsóvia.



        A partir de 1985 Mikhail Gorbatchev assumiu o poder na URSS e desenvolveu um plano ousado: cortar os gastos militares, acabando com a Guerra Fria. O seu objetivo era recuperar a produtividade econômica, implantando uma espécie de “socialismo de mercado ou capitalismo social”. A idéia era permitir a criação de pequenas empresas privadas e livre comércio de produtos.



        Gorbatchev pretendia constituir a abertura política através de um conjunto de reformas realizadas, de “cima para baixo”, mas contando com a participação da sociedade. Outra bandeira assumida era a do desarmamento militar, o que impulsionou com que os Estados Unidos e a OTAN diminuíssem suas baterias de mísseis nucleares. Era o paladino do desarmamento e eleito o “homem da década de 80” pela revista TIME.



        Foram instituídas a perestroika e a glasnost na URSS e afastaram a repressão dos países do leste europeu. A Polônia, a Hungria e a Tcheco-Eslováquia tentaram a revolução democrática no início da era Gorbatchev. Em 1989 na Tcheco-Eslováquia realizaram de forma pacífica  grandes manifestações de ruas por uma revolução sem violência.



        Entre os anos de 1986 e 1991 surgiram centenas de partidos políticos, grupos de anarquistas a monarquistas, de anti-semita a sionistas, todos defendendo os seus interesses políticos, econômicos e sociais, extraídos durante o período stalinista. Muitas das mais de 140 nacionalidades da URSS organizaram-se de forma a garantir o direito de conservar sua cultura ou seu idioma – num país vasto como um continente concentravam-se de chineses a muçulmanos, de judeus a turcos.



        Regiões como a Lituânia, Estônia, Letônia queriam a independência de Moscou. A crise aumentava principalmente devido ao desabastecimento cada vez maior de bens de consumo e gêneros alimentícios. O povo fazia filas para ter acesso ao que consumir. Estas três regiões eram governadas por presidentes nacionalistas e eleitos livremente. A solução estava na independência completa e na aproximação com a Europa ocidental.



        No contexto desta crise ocorreu o golpe – foi anunciada uma hipotética “doença” de Gorbatchev, pelos membros do Partido. Mas foi Bóris Yeltsin que tomou o poder, e aos poucos, constituiu a Comunidade de Estados Independentes – CEI.



        As transformações do leste europeu foram realizadas tendo por base a democracia, a liberalização econômica, o respeito aos direitos humanos e a integração com o resto da Europa. Desta forma o leste europeu desmoronou e a queda do MURO DE BERLIM foi o grande marco histórico deste momento.



        Os países que formavam a Europa ocidental constituíram a “Europa dos Dozes” com o objetivo da criação da moeda única européia e a unificação das fronteiras, o que deveria ocorrer até o ano de 1996, como base para a unificação total. Paralelamente, a Alemanha dividida agora era um único país com suas ambigüidades: neonazismo, a inflação e a rejeição aos imigrantes.



        Do outro lado do mundo surgiam os “Tigres Asiáticos” ou os “tigres de papel moeda” liderados pelo Japão que comandou uma economia de grande produtividade. Países como Cingapura, Coréia do Sul, Taiwan e Hong Kong cresciam à sombra da Guerra Fria. Foi ainda neste período que ocorreu a ascensão de Saddam Hussein e invadiu o Kuwait e iniciou a Guerra do Golfo. Na África os países socialistas – Angola, Moçambique e Camboja (sudeste asiático) que eram sustentados pela URSS, tiveram que compor acordos com a Casa Branca e na África do Sul estava para cair a questão da África negra – o Apartheid. Ainda em 1991 uma Conferência de Paz foi convocada para o Oriente Médio. Na América Latina prevaleciam os slogans revolucionários tipo “Yankee, go home!”



DEUS É FIEL!                            Rafael Jácome


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