domingo, 22 de julho de 2012

O DILÚVIO- PROBLEMA LITERÁRIO 6

Por Rafael Jácome

A QUESTÃO CRONOLÓGICA



Há duas cronologias diversas do dilúvio:
Conforme Gn 7.4, 12, 17, as chuvas duraram 40 dias e 40 noites: “Porque, passados ainda sete dias, farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites; e desfarei de sobre a face da terra toda substância que fiz.” (Gn 7.4) – “e houve chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites.” (Gn 7.12) e “E esteve o dilúvio quarenta dias sobre a terra; e cresceram as águas e levantaram a arca, e ela se elevou sobre a terra.” (Gn 7.17)
 Ao cabo de 40 dias, Noé abriu a janela da arca e soltou, primeiramente, um corvo, depois por três vezes consecutivas, uma pomba, a fim de verificar o estado da terra (8. 6-12). Depreende-se que entre estes quatro lançamentos de aves houve, de cada vez, um intervalo de 7 dias. Cf. 8, 12. 10; donde se tem um total de 21 dias para a descida das águas após as chuvas – o que perfaz uma duração total de 61 dias para o dilúvio. Alguns exegetas consideram os quarenta dias mencionados em Gn 8. 6 como um intervalo entre a cessação das chuvas e o lançamento do corvo. Assim sendo, teve uma duração total de 101 dias para o dilúvio.
            Entretanto, em Gn 7.11 a enchente começou no 17º dia do segundo mês do ano 600 da vida de Noé, e durou 150 dias (Gn 7. 24; 8.2): “No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, naquele mesmo dia, se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram.”  Depois destes, as águas começaram a baixar, de modo que no primeiro dia do 10º mês apareceram os cumes das montanhas (8.5), no primeiro mês do primeiro mês do ano 601 a terra toda estava visível (8.14). Desta segunda computação cronológica se segue que o dilúvio se estendeu de 17/2/600 a 27/2/601. Os israelitas contavam meses lunares, os quais compreendem 29 dias, 12 horas, 44 minutos e 3 segundos. Eles atribuíam aos meses alternativamente 29 e 30 dias, doze meses, perfaziam um ano de 354 dias. Todavia, já que o ano solar compreende onze dias mais, inseriam mais ou menos de três em três anos um mês suplementar, a fim de fazer concordar o seu calendário com o curso das estações. Portanto, isto quer dizer: a catástrofe durou um ano lunar de 354 dias, mais 11 dias, ou seja, precisamente um ano solar de 364 dias.

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