quarta-feira, 21 de novembro de 2012

"A ARTE DA GUERRA" EM JOSEFO

Por Rafael Jácome

Lendo um trecho extraido do Livro "A Guerra dos Judeus" de Flavio Josefo, tive a convicção que o cara tinha conhecimento do Livro "A Arte da Guerra" de Sun Tzu. Se tiver dúvida leia o livro ou compare com o texto abaixo.


...Estando as coisas nesse pé, Jônatas e seus colegas chegaram à província; como não ousavam atacar-me abertamente, procuraram surpreender-me e para isso escreveram uma carta cujas palavras eram estas:

"Jônatas e seus colegas, enviados pelos de Jerusalém, a Josefo, saudação. Os mais da cidade de Jerusalém, tendo sabido que João, de Giscala, vos armou di­versas ciladas, mandaram-nos para fazer-lhe severas recriminações e ordenar-lhe que obedeça exatamente, para o futuro, em tudo o que lhe determinardes mas, porque nós desejamos conversar convosco, para prover com a vossa opinião, a todas as coisas, nós vos rogamos vir prontamente ter conosco, sem grande acom­panhamento, porque esta aldeia é muito pequena para alojar um grande núme­ro de soldados."

Esta carta fazia-os esperar que, se eu os fosse encontrar, desarmado, eles po­deriam sem dificuldade prender-me, ou, se eu fosse com soldados, far-me-iam declarar rebelde. Um jovem cavaleiro, muito corajoso e que outrora tinha servi­do ao rei, foi encarregado de trazer esta carta; chegou na segunda hora da noite, quando eu estava à mesa com meus amigos mais íntimos e os mais ilustres dos galileus. Um dos meus homens veio dizer-me que um cavaleiro judeu tinha che­gado e eu ordenei que o fizesse entrar. Ele não cumprimentou a ninguém e disse somente, entregando-me a carta: "Eis o que vos escrevem os enviados de Jerusa­lém; dai-lhes a resposta com urgência, pois eu tenho de voltar imediatamente." Os que estavam à mesa comigo admiraram a insolência do soldado, mas eu roguei-lhe que se sentasse e ceasse conosco. Ele recusou-o. Então, tendo sempre a carta na mão, sem abri-la, continuei a conversar com meus amigos sobre diver­sas coisas. Algum tempo depois, dei-lhes a boa noite, conservando somente qua­tro dos que mais mereciam minha confiança, e mandei que trouxessem vinho. Sem que ninguém percebesse, abri a carta; tendo visto o que ela continha, tornei a dobrá-la, conservando-a sempre na mão, como se não a tivesse aberto. Orde­nei em seguida que dessem àquele soldado vinte dracmas para as despesas de sua viagem. Ele as recebeu e agradeceu. Isso fez-me ver que ele gostava de di­nheiro e que assim não me seria difícil suborná-lo; então, eu lhe disse: "Se quer beber conosco, dar-lhe-ei uma dracma, cada copo de vinho que beber." Ele acei­tou a condição e bebeu tanto, para ganhar muito, que ficou embriagado. Não lhe sendo mais possível guardar segredo, não foi preciso interrogá-lo para fazê-lo afirmar que me haviam armado ciladas e que eu tinha sido condenado a morrer. Estando assim informado do projeto daqueles que o haviam mandado, eu lhes respondi deste modo:

 

"Josefo, a Jônatas e aos seus colegas, saudação. Tenho tanto mais alegria em saber que chegastes bem à Galiléia, quanto me é assim fácil entregar em vossas mãos o cuidado dos interesses desta província e satisfazer ao desejo que sinto, há muito tempo, de voltar a Jerusalém. Assim, iria procurar-vos em Xalom e muito mais longe, quando mesmo não me tivésseis convidado para isso. Mas, haveis de me perdoar se não posso fazê-lo agora, porque sou obrigado a ficar em Chabolom, para vigiar Plácido e impedir que ele faça uma incursão na Galiléia. É, portanto, muito mais conveniente que venhais aqui depois de terdes recebido minha res­posta, como vos peço."

 

Entreguei esta carta ao soldado e mandei com ele trinta pessoas, das mais importantes da Galiléia, com ordem de saudar somente os enviados, sem lhes falar de assunto algum; dei a cada um, para acompanhá-los, um dos meus solda­dos nos quais mais eu confiava, aos quais ordenei que observassem cuidadosa­mente, se aqueles gentis-homens galileus falariam com jônatas. Os enviados de Jerusalém, vendo-se assim ludibriados na sua expectativa, escreveram-me outra carta, cujas palavras são estas:

 

"Jônatas e seus colegas a Josefo, saudação. Ordenamos-vos que venhais dentro de três dias encontrar-vos conosco em Gabara, sem acompanhamento de solda­dos, a fim de que tomemos conhecimento dos crimes de que acusastes a João."
 
 
DE BOBO O JOSEFO NÃO TINHA NADA. SE QUER SABER DO RESTO DA HISTÓRIA, LEIA O LIVRO A GUERRA DOS JUDEUS DE FLÁVIO JOSEFO.

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