terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Társis, a Cidade de Ouro

Por Rafael Jácome


        Nos livros históricos pouco se fala da cidade de Társis, alguns retratam relatos de velhos marujos daquela época. Aliás, no processo histórico da humanidade, as tabernas frequentadas por eles sempre foram focos de boatos pitorescos, de mexericos, fábulas e anedotas. Ao mesmo tempo, sem o saber, fornecem aos pesquisadores indícios importantes para a descoberta de fatos e locais novos.
         Foi em um desses relatos na ilha de Samos que Heródoto investigou a existência de Tartesso. Através dos contos dos marujos, ele chegou até a pessoa de Colaio, um capitão marinheiro que atravessara as Colunas de Hércules e descobrira, por acaso, a famosa cidade. De qualquer forma, ela deve ter existido no sudoeste da Espanha, provavelmente numa ilha, talvez na foz do Guadalquivir.
        Qual cidade foi Tartesso? Teria realmente existido? O que encontramos é que qualquer mercador cartaginês poderia ter dado informações precisas a esse respeito. Crônicas fenícias e obras religiosas hebraicas abundavam em referências sobre a “Cidade de Ouro”, “a mais nobre entre os Mercados” cheio de mercadorias variadas, prata, ferro, zinco e chumbo... apenas davam-lhe ali outro nome, chamavam-na de TÁRSIS.
         Na Bíblia encontramos diversos relatos:
1 Reis 10.22 - “Porque o rei tinha no mar as naus de Társis, com as naus de Hirão; uma vez em três anos, voltavam as naus de Társis, e traziam ouro, e prata, e marfim, e bugios, e pavões;
 Sl 72.1 -" Os reis de Társis e das ilhas trarão presentes; os reis de Sabá e de Sebá oferecerão dons. " 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ez 12, 25 - "Társis negociava contigo, por causa da abundância de toda casta de fazenda; com prata, ferro, estanho e chumbo negociavam em tuas feiras."
 
As profecias hebraicas diziam: “e esta cidade Társis será destruída pelo Senhor e ninguém mais lá irá viver.”
2 Cr 20.36-37  "E aliou-se com ele, para fazerem navios que fossem a Társis; e fizeram os navios em Eziom-Geber.  Porém Eliézer, filho de Dodavá, de Maressa, profetizou contra Josafá, dizendo: Visto que te aliaste com Acazias, o  Senhor  despedaçou as tuas obras. E os navios se quebraram e não puderam ir a Társis."  
Is 2.16 - e contra todos os navios de Társis e contra todas as pinturas desejáveis.
Is 23.14 - Uivai, navios de Társis, porque é destruída a tua força."
Nos dias de Heródoto não existia mais nenhuma casa em Társis, não se podia comprar lá nem prata, nem zinco. Existia apenas bancos de lodo que cobriam que já fora paraíso terrestre. O que restou era apenas informações de uma civilização muito instruída, donos de vasta literatura e de legislação sábia. O que restou foi um sonho de uma Cidade de Ouro, da terra encantada, de um povo hospitaleiro, amável, longíquo, em alguma parte paradisíaco do mundo.

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