quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Estrabão e a História dos Judeus

Por Rafael Jácome


     Estrabão (63 a.C - 24 d.C) foi um historiador, geógrafo e filósofo grego. Foi o autor da monumental Geographia, um tratado de 17 livros contendo a história e descrições de povos e locais de todo o mundo que lhe era conhecido à época. Apesar de inúmeros erros, sua Geographia foi, juntamente com a de Ptolomeu a primeira obra desse gênero herdada da antiguidade. Histórias, religião, costumes locais e as instituições de diferentes povos estão misturados às descrições geográficas. Nesse sentido é considerado o fundador da perspectiva idiográfica, de estudo geográfico, a qual consiste em revelar as particularidades regionais.

     O grande geógrafo e historiador Estrabão que dispunha de todas as fontes de informações de sua época, nada sabia a respeito das escrituras sacras dos judeus, do Gênese, dos seus patriarcas, de sua cronologia. Mas não obstante tudo isso, encarou e descreveu a história dos judeus. Não precisa ressaltar o que foi criado, mas de qualquer forma os relatos provam que, na sua época, pouco se sabia a respeito do povo judeu.

     De acordo com Estrabão, tribos mestiças habitavam a Judeia, gente de origem egípcia, árabe e fenícia, conforme diz o nosso informante. O etnólogo moderno diria ainda que lá viveram também aborígenes asiáticos, semelhantes aos subaréus assírios e ainda hititas, churitas e filistinos egeus. Uma confusão babilônica em pequena escala, pois, como se dava em toda a parte do Oriente Próximo. Embora os judeus sejam povo de origem tão complexa, alguns cientistas modernos alimentam opinião que eles sejam descendentes dos Egipcios, como por exemplo, Sigismundo Freud, pai da Psicanálise.

     Estrabão relatou o episódio da fuga do Egito. Segundo ele: Moisés, sacerdote egípcio, que também governava uma província, emigrou de lá porque as condições imperantes não lhe agradavam. Muitos, impelidos por nativos religiosos semelhantes, acompanharam-no. Acontece que Moisés dizia e ensinava que não era justo os egípcios elevarem à divindade produtos da criação de gado, como também não achava certo que os helenos emprestassem a seus deuses forma humana. Dizia existir um só Deus, Pai de todos nós, criador de tudo – da terra e do mar, daquilo que chamamos de céu e de edifício terráqueo de toda a natureza. Que homem sensato, dizia Moisés, pode tentar representar tal espírito em forma humana? Concluia, pois, que se devia deixar de querer representar Deus e que se deviam erigir em sua honra templos sem imagens.

     Continuava afirmando que Moisés havia convencido não poucos homens bem intencionados, ensinou-lhes o seu monoteísmo e levou-os à Palestina, que como bem dizia: terra tão pouco invejável que dificilmente alguém quereria lutar seriamente por causa dela. Descreveu a Terra Prometida como seca e rochosa; dizia, porém, que os seguidores de Moisés assim mesmo gostaram dela, principalmente porque ali podiam seguir o rito, que não lhes exigia tributos monetários, nem os incomodava com hábitos de mau gosto. Todos os povos vizinhos acompanharam os recém chegados, em parte por razões de intercâmbioo, mas também por causa das promessas que sua religião apresentava. Assim formou-se o Reino dos Judeus, que não desmerece a atenção.

     De início, diz Estrabão, os judeus foram honestos e temiam seu Deus. Mas não demorou muito para que o monoteísmo importado do Egito degenerasse: profetas supersticiosos tornaram-se sacerdotes, os sacerdotes passaram a ser tiranos, que inquietavam sua própria terra, bem como os vizinhos, faziam expedições de pilhagem em países estranhos e apropriaram-se de muito que pertencera aos sírios e fenícios. O historiador heleno refere-se à época que a Bíblia descreve, no Livros dos Juízes, nos Livros de Samuel e nos Livros dos Reis, e a homens como Davi e Salomão, pois foram, a seu ver, conquistadores tirânicos. O que o autor menciona sob o termo superstição foi a abstinência de certos alimentos que ainda hojé é hábito dos judeus, a circuncisão e outros hábitos característicos, bem como o fato de que os judeus não somente não detestam sua capital por ser sede do tirano, mas, pelo contrário, dedicam-lhe veneração e consideram-na santa por ser Templo do Senhor.

     Avaliando nos dias atuais este capítulo do livro de Estrabão, podemos nos decepcionar devido aos absurdos de misturas de lendas, mal entendidos, meias verdades e  mentiras. Estrabão chegou a afirmar que: Moisés e os continuadores da sua obra eram supersticiosos, assim como os mágicos e médiuns persas, os que predizem o futuro, olhando a água, os feiticeiros caldeus na Assíria. Concluiu os seus comentários da seguinte forma: A causa deles não começava mal, mas transformava-se em maldade. Termina com a seguinte observação pessimista e autocrítica: mas os homens são assim mesmo e isso é comum aos helenos tão bem como aos bárbaros.

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