domingo, 3 de fevereiro de 2013

"Santos que Bebem um Golinho" (Sipping Saints)

Por David Wilkerson


 
                                  Um clamor contra a  alarmante                     
        disseminação da bebida entre os cristãos
        

“O vinho é escarnecedor, e a bebida forte, alvoroçadora; todo aquele que por eles é vencido não é sábio” (Provérbios 20:1).

 O país está rapidamente se tornando uma sociedade encharcada de álcool e com muita gente intoxicada. O álcool agora é o bezerro de ouro moderno, e milhões de pessoas jovens ou velhas, homens ou mulheres, foram seduzidas por ele. Os abstêmios, os que apoiam a lei proibindo a venda de bebidas alcoólicas, e todos os demais que durante anos combateram este dilúvio de bebedeira se tornaram objeto incomparável de riso. Rimos com desdém das antigas senhoras que saiam quebrando barris de uísque, fechando bares e botecos e recolhendo garantias de abstinência.

Nós, modernos e liberais resolvemos que beber está na moda. Agora, beber socialmente é considerado  sofisticado, urbano, pra frente. Experimente dizer “Não” à aeromoça que fica forçando drinks desde que você entra até que desça do avião. “O que o senhor quer dizer, não aceita drinks?” Ela olha como se você fosse um maluco por recusar bebidas grátis.

Hoje em dia as pessoas se ofendem quando você recusa seu convite para um gole. Elas tentam lhe deixar com a impressão de ser inamistoso por não acompanhá-las, ou que você está querendo se mostrar “santinho”. Nem o presidente Carter conseguiu tirar as bebidas da Casa Branca.

“Não estejas entre os bebedores de vinho...” (Prov. 23:20).

Para mim, a tragédia maior é que tantos assim chamados “cristãos” agora estão bebendo. Eu os chamo de “santos que bebem um golinho”, porque é assim que começa - um gole de cada vez. Recente pesquisa revela que 81% dos católicos e 64% dos protestantes bebem. Estes números chocantes crescem cada mês. A atitude permissiva para com o beber socialmente está rapidamente se infiltrando até mesmo dentro dos círculos mais conservadores das igrejas evangélicas. Tenho pregado em convenções carismáticas onde milhares de santos “cheios do Espírito” levantam as mãos em louvor e adoração a Deus - e após serem dispensados, um monte deles sai para o estacionamento, abre os porta-malas e pega embalagens de seis latas e as passa para os companheiros de adoração. Outros pedem coquetéis às refeições nos restaurantes, no intervalo do louvor. Voltam “falando em línguas” enroladas.

“Liras e harpas, tamboris e flautas e vinho há nos seus banquetes; porém não consideram os feitos do Senhor, nem olham para as obras das suas mãos” (Isaías 5:12). O profeta Isaías tem uma mensagem para todo o movimento carismático - seja nos círculos católicos ou protestantes.

“...o meu povo será levado cativo, por falta de entendimento...Mas o Senhor dos Exércitos é exaltado em juízo; e Deus, o Santo, é santificado em justiça” (Isaías 5:13,16).

O profeta Oséias diz: “...o vinho e o mosto tiram o entendimento” (Oséias 4:11).

Isto sugere que os santos que bebem um gole têm corações divididos. As pessoas cheias do Espírito reivindicam “sacerdócio real” junto ao Senhor. A Bíblia enfaticamente declara:

“Não é próprio dos reis beber vinho, nem dos príncipes desejar bebida forte. Para que não bebam, e se esqueçam da lei...” (Provérbios 31:6). Uma admirável senhora cristã me escreveu dizendo: “Somos cristãos que frequentam muito a igreja. Amamos o Senhor e não vemos absolutamente nada de mal em servir vinho em casa. Bebemos com moderação, e nossos filhos estão aprendendo a beber sob nossa supervisão. Eles não exageram. Nunca vimos ninguém bêbado em casa. O senhor está simplesmente nos fazendo sentir culpados, empurrando essa sua ética fundamentalista para cima da gente. Não fomos educados em baixo de tabus legalistas como o senhor certamente foi. Francamente, senhor, os nossos hábitos de bebida não lhe interessam.”

Que Deus abençoe esta prezada senhora - mas um dia desses o problema vai ser meu. Começa a ser problema meu quando estes adolescentes saem com os amigos e ficam bêbados. Hoje mesmo uma de nossas estudantes, uma alcoólatra convertida me disse como virou beberrona. Os pais lhe ensinaram como beber com moderação. Em festas, aniversários, e quando chegava visita, todo mundo tomava um drink social. Era servido às refeições. Ela admirava e amava os pais. Eles rejeitavam as bebedeiras, porém tinham um bar em casa. Esta jovem começou a ir às festinhas de adolescentes e a beber socialmente com a turma. Isso a levou a beber nos clubes.Por fim, com o acúmulo dos problemas, passou a depender violentamente do vinho. Ela acabou numa instituição mental, como alcoólatra consumada. Esta mesma história me é repetida toda hora de norte à sul do país. Quantas, quantas vezes ouvi isso: “Meus pais eram considerados bons cristãos. Iam à igreja. Mas sempre servimos vinho ou cerveja em casa. Meu irmão mais velho bebia moderadamente e era o meu herói. Eu bebia para ser igual aos meus pais e ao meu irmão mais velho, mas não conseguia. Mas me fizeram achar que bebida era uma coisa que as pessoas de bem usam.”

Será que sou preconceituoso? Cabeça muito pequena nesta área? Claro que sim! E tenho motivo para isso. O meu próprio irmão, filho de pastor, começou a beber cerveja com moderação - só para se sociabilizar com os amigos. Ele acabou virando alcoólatra, levando a esposa e os adoráveis filhos a continuarem seu hábito. Graças a Deus ele hoje está salvo e de volta à família. Mas enviei meu irmão Jerry com um grupo de convertidos à Europa para testemunharem sobre o que Cristo fez na sua libertação do poder do álcool. Os cristãos na Europa com júbilo se alegraram com os testemunhos de libertação das drogas e da prostituição - mas não quiseram ouvir uma palavra sobre a libertação de Jerry em relação ao álcool. Por que? Porque os cristãos europeus engolem vinho e cerveja como água. Isto partiu o coração dele. Já ouvi todas as desculpas para a bebida entre os europeus - e não posso aceitar nenhuma delas. Põem a culpa na água impura. Dizem que é algo arraigado na cultura e nos seus costumes. Bebem porque “sempre beberam”.

Como ficaram profundamente ofendidos alguns pastores em Paris na França, quando recusei beber vinho. Missionários americanos, que facilmente adotaram os costumes europeus, me disseram que eu deveria “em Paris, ser igual aos parisienses!” E então, como fiquei eu profundamente ofendido quando alguns destes mesmos ministros ficaram tão bêbados, que não aguentavam ficar acordados durante a minha cruzada. Há uma incidência alarmante de alcoolismo e bebedeira nos círculos cristãos na Europa. Eles ficam bêbados mesmo! Não são nem um pouco moderados! Nenhuma das desculpas convence. E que falsidade os cristãos americanos beberem “só na Europa”. Nem chegam perto do álcool nos Estados Unidos, mas acham “legal” se juntarem aos irmãos de lá bebendo uns golinhos!

 Fico profundamente irritado com os cristãos que bebem, devido ao terrível exemplo que dão para os jovens! O país agora enfrenta uma praga de bebida no meio dos jovens. Hoje as duas palavras mais populares na escola são “zoar e beber.” O álcool está se disseminando em nossas escolas como um incêndio sem controle. Os garotos me dizem que 80% da classe não só bebem, como ficam bêbados. Estamos diante da possibilidade de termos mais de um milhão de jovens alcoólatras no próximo ano. Tenho ajudado viciados em drogas há 20 anos. Mas esta explosão de bebida que assola o país me dá medo. Eles agora bebem porque acham que o álcool não os vai “enterrar” como as drogas! A bebida agora é a “maconha líquida” preferida. Em toda parte onde se vêem os adolescentes se embriagando, eles dizem: “Agora não tem polícia, pais ou políticos que possam encrencar com a gente - porque todos também estão fazendo isso. Finalmente achamos uma coisa legal que não leva a gente pra cadeia!”

 Não quero entrar naquela velha discussão em relação à Bíblia e o vinho fermentado em contraposição ao suco de uva. Mas quanto mais vejo estes jovens estourados, arrebentados, desesperadamente afundados na bebida - mais fico convencido que Jesus não enganou aquela multidão nas bodas de Canaã, servindo a mesma coisa que está destruindo os nossos jovens hoje.

Cristo veio para cumprir a lei! A lei diz: “O vinho é escarnecedor...todo aquele que por ele é vencido não é sábio”. Cristo foi ludibriado? Será que Ele serviria uma bebida que levaria um homem saído da festa a bater na esposa? E no tribunal seria perguntado a este homem: “Como você ficou tão embriagado?” E o condenado responderia: “Fui à uma festa de casamento. Jesus de Nazaré serviu uma bebida muito forte. Ele me deixou bêbado.”

Não consigo conceber a idéia de que Jesus decepcionaria aquela multidão, e serviria uma bebida que poderia levar ao mau se tomada em exagero. Creio que o elixir que Jesus serviu foi o puro suco da vinha - um ponche sobrenatural tão cheio da combinação genuína da natureza, que foi uma transformação única e recebida com prazer! Será que Jesus adicionaria conteúdo alcoólico à Sua bebida sobrenatural e a tornaria a “número um” quando a lei diz: “Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente” (Prov. 23:31)? Isso foi escrito por um rei que “se deu ao vinho” (v. Eclesiastes 2:3). E Jesus não iria nunca, nunca fazer com que os convidados se dessem ao vinho embriagante.

Paulo também conhecia a lei. Ele respeitava a sabedoria de Salomão. Suco puro da uva é bom para a saúde! É nutriente. Mas o vinho fermentado não é mais nutritivo, segundo um médico amigo meu que já leu muito sobre o assunto. Como Paulo poderia recomendar a bebida de vinho alcoólico quando a lei que respeitava exortava: “Não estejas entre os bebedores de vinho...” ? Mas a questão real não é se o Novo Testamento se refere ou não a vinho fermentado ou a suco de uva. A questão real é o abuso que hoje prevalece tanto. Salomão tinha três mil esposas; uma vez Moisés autorizou o divórcio. Deus permitiu! Mas Deus não permite que Suas leis se tornem tão desmoralizadas e insultadas. Veja onde nossa permissividade nos levou: danceterias assim chamadas cristãs, servindo cerveja com dança de músicas cristãs. “Cristãos” rolando no rock, bebendo.

“Para que não bebam, e se esqueçam da lei...”

Estamos esquecendo as leis de Deus, as próprias leis que Jesus disse ter vindo cumprir. Agora deixamos que uma sacerdotisa lésbica seja ordenada na igreja Episcopal. Os homossexuais não só exibem seu pecado, como ousadamente buscam reconhecimento e força dentro da igreja. Um milhão de divórcios novos este ano. Dez milhões de garotos vítimas de lares desfeitos. Danças com nus no santuário da igreja. Ministros liberais zombando dos antigos padrões sexuais bíblicos. Agora eles ensinam assim aos meninos: “A masturbação é um presente de Deus para aliviar a tensão.”

E para completar toda a desobediência, algumas agências de nossa igreja têm servido como fachadas para anarquistas comunistas anti-Deus, que procuram destruir a democracia - usando o dinheiro de missões das igrejas para contratar ações secretas de violência. Os cristãos bebem por causa da ignorância? Ninguém os confrontou com a Palavra de Deus? Será que estes novos convertidos do movimento de Jesus bebem para provar que são liberados e não estão sob a lei?

Uma jovem senhora, membro de uma comunidade cristã de amor, me escreveu recentemente e disse: “Claro, nós todos bebemos. Jesus bebeu; Paulo bebeu! A Bíblia não deixa o assunto claro. Nossos líderes bebem com moderação. Todos são bons mestres bíblicos e viajam, falando nas reuniões dos jovens.” Sim - e sei que alguns deles também fumam. Eles misturam Jesus com rock pesado, e só Deus sabe até onde vão as concessões. Eles parecem achar que acrescentando a palavra “Jesus” à alguma coisa, a torna santificada e tudo bem.

Você diz: “Não julgue, David! E a trave no seu olho?”

Não sou o juiz de ninguém. Não me coloco como porta voz de nenhum grupo. Mas Paulo diz: “nós julgamos os aqui de dentro - Deus julga os lá de fora.” É hora de julgamento! É hora de todos os cristãos que bebem serem desafiados! É hora do Espírito Santo expor esta atitude frouxa e despreocupada de “liberou geral”. Se é errado para os meus queridos alcoólatras, viciados e prostitutas convertidos beberem mesmo que moderadamente, então é mortalmente errado que os cristãos amadurecidos bebam e lhes dêem um mau exemplo. E fico muito aborrecido e espiritualmente indignado quando os cristãos que bebem chegam para mim dizendo: “Ah, você é bem um santinho fundamentalista bitolado. Nós, cristãos modernos e liberais somos livres em Cristo. Não estamos embaixo da lei. Não vamos ficar presos por seus ataques à nossa liberdade.”

Isso é uma ofensa à tudo em mim que aspira à piedade e à santidade. Isso é uma ofensa à todo recem-convertido a quem Deus trouxe convencimento a respeito do antigo hábito da bebida. E a Bíblia diz: “Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual vem o escândalo!” (Mateus 18:6-7).

Recuso-me a ceder à crescente pressão do mundo - disfarçada de liberdade espiritual! O que aconteceu conosco, santos de Deus - que conseguimos ficar sentados sem tomar uma atitude, e não repreender estes princípios que corroem a moral tão depressa na casa de Deus? Creio na gratuidade da graça, mas não na licenciosidade. Creio na justiça imputada de Cristo, pela fé. Mas também creio que a santidade de Deus requer que “não toquemos o que é impuro.” Creio também que os pastores que fumam não estão sendo honestos com Deus. Estes “profetas da fumaça” recusam-se a praticar o que pregam. E pastores que bebem são uma acusação contra o nome e o poder de Deus. Não se trata de um esforço para condenar os verdadeiros ministros do evangelho. Mas como podemos nós, como ministros e pais pedir aos nossos filhos que parem de usar drogas e álcool, se não queremos limpar nossas  próprias vidas - e dar o exemplo tornando-nos semelhantes a Cristo?

Às vezes, só por um instante, fico pensando: “Talvez o errado seja eu. Talvez estes novos cristãos que se enfiam no rock, fumam, bebem, e que voltam aos seus antigos buracos para cantar, entreter, e representar - talvez eles tenham visto algo em Deus que eu ainda não vi. Talvez estas mudanças tão bruscas não sejam concessões, mas um sinal de maturidade e crescimento. Pode ser que eu seja muito antiquado, esteja muito por fora para reconhecer alguma coisa nova que Deus esteja fazendo.”

Mas então começo a comparar o som estridente e agitado da música deles com antigos hinos como “Rocha Eterna” e “Santo, Santo, Santo.” E tenho vontade de chorar! Vejo-os voltando àqueles clubes enfumaçados para entreter a multidão de beberrões na pretensão de levá-los a Jesus, e aí os comparo aos milhões do povo de Deus ao longo dos séculos, desde os mártires até os viciados e bandidos de hoje, que se converteram e que abandonaram o mundo e tudo que está ligado a ele, para levar adiante a repreensão de Cristo. Começo a chorar pelos cristãos que fazem concessões. Sei que não estou errado.

Por favor, não fique bravo comigo! Se você é um dos santos que bebem um golinho, não permita que sua mágoa ou raiva lhe roubem a verdade. Se você ficou ressentido por esta mensagem que prega a separação, é provavelmente porque Deus já lhe convenceu - e Ele agora está querendo que você desfrute de liberdade completa. Ore também para que Deus coloque no coração dos ministros por todo o país - se levantarem firmemente nos púlpitos contra esta insidiosa tendência.

Ore por nossos adolescentes! As pressões que recebem para beber com a turma aumentam todo dia. Eles precisam ser encorajados a se levantar e resistir, para que não sejam atraídos para este rodamoinho da bebida. Mesmo que você não “sinta-se convencido” - abstenha-se pela simples mas poderosa razão de dar um exemplo para a juventude!

“Para quem são os ais? Para quem os pesares? Para quem, as rixas? Para quem, as queixas? Para quem, as feridas sem causa? E para quem, os olhos vermelhos? Para os que se demoram em beber vinho, para os que andam buscando bebida misturada. Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente. Pois ao cabo morderá como a cobra e picará como o basilisco. Os teus olhos verão cousas esquisitas, e o teu coração falará perversidades” (Provérbios 23:29-33).


 
O reverendo David Wilkerson começou sua carreira em meados de 1958 pregando para pessoas marginalizadas nos suburbios de Nova Iorque e teve grande sucesso principalmente após a conversão de Nick Cruz que era um chefe de uma temida gangue local. O seu livro autobiografico A Cruz e o Punhal conta exatamente esse período de sua vida que durou 5 anos.
Após esse periodo foi o fundador do "Desafio Jovem", um ministério destinado a resgatar jovens problemáticos, membros de gangues, viciados em drogas e alcoólatras, e de outras organizações destinadas a atividades evangelísticas para jovens.
Em 1987 veio a fundar no coração de nova iorque, a igreja que ficou conhecida a igreja da Times Square. [1].
Escritor de dezenas de livros dentre eles o Best Seller A Cruz e o Punhal que conta a historia de sua chamada até a fundação do "Desafio Jovem"
Morreu aos 79 anos. O fundador da Igreja de Times Square, em Nova Iorque, sofreu um acidente de carro no Texas na tarde de quarta-feira, 27 de Abril de 2011.[2].

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