quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Seita Depravada e Contagiosa

Por Rafael Jácome
Adaptação do texto Tudo começou em Babel


     No ano 104 d.C , Gaio Plinio Cecílio Segundo, sobrinho e filho adotivo do grande Plinio que até hoje é considerado como o maior naturalista romano, escreveu carta muito preocupada a seu Imperador Trajano, solicitando instruções para agir contra uma seita depravada e sonhadora, existente na província de Betânia, cuja superstição é contagiosa. Entre outras coisas Plínio escrevia o seguinte:

     Não tendo nunca assistido ao interrogatório dos tais cristãos, desconheço os métodos a serem usados e não sei dentro de que limites devo permanecer, nem como conduzir o interrogatório ou as penas a que devem ser condenados. Não se deve levar em conta a idade? Não se deve usar critério outro, quando lidando com adultos e quando com menores? É admissível perdoar os penitentes ou não adianta nada a um homem, que já foi cristão, abjurar? Se uma pessoa apenas professa ser cristão sem cometer crime algum deve ser punido, ou são apenas os respectivos crimes puníveis?

     Em seguida, Plínio descreve a maneira como, até então, procurava solucionar o caso. Mencionou a torrente de denúncias que recebia, desde que começou a se ocupar com o problema, e disse que mandava afixar publicamente os nomes das pessoas denunciadas como cristãos, e submetia-as a severo interrogatório. Quem, durante o interrogatório, apelar aos deuses e amaldiçoar Cristo é libertado, os que não o fizeram serão justiçados. Porque, seja a convicção deles o que for – a meu ver, gente tão obstinada e irredutível como eles, merece ser  castigada. O pior era que esta supertição maléfica não se limita às cidades, mas já se espalha pelas vilas e pelo campo. É possível, porém, achava Plínio, impedir o alastramento por da tortura, é possível também curar os homens, deixando aberto o caminho ao arrependimento.

     Esta carta é importantíssimo documento histórico que tem alto interesse de atualidade. Entendemos pela carta que o crisstianismo, que inicialmente não fora senão, pequeno grupo dissidente do judaísmo, no tempo de Josefo, ou seja trinta anos após seu aparecimento, já se tornara problema político no Império Romano. O Imperador Trajano responde de maneira resumida e concisa instruindo-o não investigar as enfadonhas denúncias. Se os acusados forem achados culpados deve-se aplicar o castigo; se, porém, demonstrarem arrependimento, devem ser libertados, deixando de considerar as suspeitas que possam pesar contra eles. Estas instruções não foram seguidas nem naquele tempo, nem em processos posteriores que os poderes judiciais temporais efetuaram no decorrer da história da humanidade.

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