quarta-feira, 20 de março de 2013

A Realeza de Carabas

Por Rafael Jácome
 
 
     Havia um certo lunático chamado Carabas, cuja loucura não era do tipo agressivo e selvagem, que representa um perigo tanto para o doente quanto para as pessoas à sua volta, mas sim do tipo mais calmo e gentil. Ele passava dia e noite nu na rua, sem temer o frio e o calor, e era vítima das brincadeiras das crianças e dos rapazes que não tinham nada para fazer. Os desordeiros levaram pobrediabo até o ginásio e o assentaram num lugar alto, de modo que todos pudessem ver. Colocaram em sua cabeça uma folha de papiro bem larga para formar um diadema, vestiram o resto de seu corpo com um tapete à guisa de túnica real e alguém que tinha visto um dos papiros da região atirado na rua oereceu-o a ele como um cetro. Depois dele ter recebido as insígnias da realeza numa farsa teatral e de ter sido paramentado como um rei, alguns jovens carregando varas nos ombros perfilaram-se ao seu lado, imitando uma guarda real. Mais pessoas se aproximarm, e algumas fingiam saudá-lo, outras fingiam buscar uma audiência por alguma questão judicial, ou para consultá-lo a respeito de negócios de Estado. Depois, do meio da multidão à sua volta, partiu um brado tremendo saudando-o como Marin, que segundo alguns é o nome que se dá a "senhor" na Síria. Todos sabiam que Agripa tinha nascido na Síria e era rei de uma grande região daquele país.
 
(Filon de Alexandria, Flaco, 32-34; Colson, 320-25)

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