sábado, 6 de abril de 2013

Homossexualidade e Sexualidade na Bíblia –

Por Rafael Jácome
Fonte: Artigo extraído do Centro de Estudos Anglicanos
Autor: Izidoro Mazzarolo


a) A administração doméstica

     A teoria da oikou nomia (lei da casa) foi educando a mulher para uma esfera interna do lar, ainda que, como escrava, ela tivesse que cultivar os campos e tomar conta dos rebanhos (cf. Ct 1,5-6). “Tanto quanto possível, as moças eram separadas dos rapazes e cultivadas em suas casas na absoluta ignorância de tudo o que se passava no mundo”. 
     A mulher nas culturas antigas era educada a nao se inteirar dos assuntos do marido, nem mesmo das relações comuns entre as famílias. “Quando a família recebia um convite para visitar outra, os homens e as crianças podiam ir, mas, salvo exceções, as mulheres ficavam em casa. E quando os homens tinham uma mulher como convidada, em sua casa, a esposa não podia participar da companhia” 

b) O matrimônio na sociedade israelita 

   Herdeira da cultura babilônica e egípcia, a sociedade israelita proclama o matrimônio como monogâmico (uma só mulher). O Código de Hamurabi (por volta de 1700 aC) determinava que o casamento do homem seria com uma única mulher. Ele só poderia tomar uma segunda esposa (convivendo com a primeira) se a primeira fosse estéril.

    Na tradição israelita patriarcal (cf. Gn 12-50) encontrao-se o caso de Abraão que, por Sarai ser uma mulher estéril, tem a permissão de tomar uma serva egípcia, chamada Agar, para prolongar sua descendência (Gn 12,5ss). Mais tarde, a primeira esposa Sarai lhe dá Isaac, que passa a ser o filho da promessa (Gn 17,17-19).
     Na sociedade israelita, a filha não-casada está sob a tutela do pai, e a esposa sob a dependência do marido.

c) O paradigma da monogamia

     O relato da Criação de Gn 2,21-24 apresenta o homem casado com uma só mulher, assim também são casados alguns patriarcas como Noé (Gn 7,7); já Lamec tem duas mulheres (Gn 4,19). Todo homem deveria ter uma só mulher diante da lei, mas poderia ter outras, não oficiais, que fossem livres ou escravas, em um número tal que ele as pudesse sustentar seus filhos.
 
     Na própria tradição patriarcal bíblica encontram-se exemplos de poligamia (diversas mulheres). Jacó trabalha sete anos como pagamento por Raquel, mas é enganado pelo sogro que lhe dá a irmã mais velha, Lia. Ele trabalha mais sete anos para conseguir a esposa de seus sonhos, mas acaba ficando com as duas irmãs por esposas (Gn 29,15-30). No período da monarquia, os reis de Israel tinham uma só esposa oficial, mas tinham muitas concubinas. A monogamia era apenas uma questão de fachada. O número de mulheres era tão grande e variado como os desejos e possibilidades do homem. No início da legislação judaica não havia limites. “Numa tentativa de regulamentação tardia, o Talmud fixava em quatro mulheres para um homem comum e dezoito para um rei. Na verdade, era uma questão absolutamente teórica”

     De igual modo, nas famílias islâmicas, o número de mulheres é relativo ao poder econômico do homem. Neste aspecto, a legislação depende dos direitos do homem.

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