sábado, 6 de abril de 2013

Homossexualidade e Sexualidade na Bíblia - Final

Por Rafael Jácome
Fonte: Artigo extraído do Centro de Estudos Anglicanos
Autor: Izidoro Mazzarolo
 
 
d)O confinamento dos sentimentos e o homossexualismo
     A felicidade não pode ser comprada ou vendida. A antropologia do amor perpassa todas as esferas e estruturas do ser humano. É preciso deixar que o amor, a afetividade e a sexualidade acordem no seu tempo correto (Ct 8.4). Despertar a sexualidade de modo interesseiro, usá-la para ter proveito econômico ou por interesse provoca distúrbios comportamentais na vida.
  
    Sobre a moça pesam os preconceitos da virgindade, da pureza e da castidade. Ela tem a obrigação de apresentar o selo da integridade física, ser um jardim fechado, uma fonte lacrada (Ct 4,12). E para manter toda essa estrutura de castração e dominação ela tem que usar o véu. Este serve para esconder, velar e cercear. Na festa de núpcias, ela se apresenta ainda velada ao seu noivo, mesmo para indicar que não se havia revelado a ninguém (Ct 4,1.3; 6,7)
 
     Ela, ainda que esposa do rei neste Cântico, jamais é mostrada como rainha. Ela recebe elogios, ela é formosa, mas não recebe o título. Para Tournay, no folclore árabe da Síria, uma jovem que desposasse um rei, poderia automaticamente considerar-se rainha.
 
      O amor é forte como a morte. Esta expressão revela a força do amor e os perigos dos seus desvios. Este amor mal orientado se transform em ciúme e em desequilíbrio. O amor e a paixão profundas jogam com os extremos.
“Guardai-vos, pois, de esquecer a aliança que o Senhor, vosso Deus, fez convosco, fazendo imagens ou figuras de tudo o que o Senhor vosso Deus vos proibiu. Porque o Senhor vosso Deus é fogo abrasador, é um Deus ciumento” (Dt 4,23-24).
     Um juramento de amor envolve uma totalidade e não as partes. Se esta totalidade entrar em crise, o amor pode transformar-se em ódio, vingança, destruição. “Põe-me como um selo sobre teu coração, como um selo sobre teu braço. Porque é forte o amor como a morte, e a paixão é tão violenta como o abismo: suas centelhas são incendiárias, são labaredas intensas” (Ct 8,6).

Conclusões:

 
      A questão da homossexualidade está ligada a um conjunto de fatores que envolvem o problema da afetividade e sexualidade. A homossexualidade é uma realidade presente em todos os tempos e culturas. Ela resulta de algum fenômeno biológico, mas se transforma numa fonte de ciúmes. A moral judaica condena a homossexualidade (Lv 18,22), como condena a esterilidade, o  nanismo e o celibato por não gerarem filhos e não prolongarem a descendência (Gn 15,15;16,1; 1Sm 1,3-7; Sl 127,3). Toda a relação sexual deve ter como meta procriar. O ato sexual não pode ser compreendido como prazer carnal, mas como ato gerador de vida. A sexualidade é um fator integrador da personalidade e das expressões da pessoa na sua relação com a sociedade. Em qualquer aspecto que ela se desintegre, ela compromete o convívio comunitário e social.

Isidoro Mazzarolo

PUC-Rio

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