sábado, 6 de abril de 2013

O diabo como guia turístico

Por Rafael Jácome
Fonte: Texto extraído da Internet


“O diabo o levou a um monte muito alto e lhe mostrou  todos os reinos do mundo e seu esplendor” (Mt. 4.8)
    Se há um guia turístico que não merece a menor confiança, este não é outro senão o diabo.
    Ele mostra o que quer mostrar. O que é de seu interesse. O que lhe traz vantagem pessoal. O diabo sabe desconversar, sabe despistar, sabe desnortear. É até capaz de cegar “o entendimento dos incrédulos, para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus” (2Co 4.4).
    O enganador mostra a árvore do conhecimento do bem e do mal e aponta para o seu fruto, mas tira da memória a palavra anteriormente proferida por Deus, de que se o homem comesse aquele fruto certamente morreria (Gn 2.16-17; 3.1-7).
    O enganador mostra a Davi, num relance, a esposa de um general do seu exército nuazinha, tomando banho, e desperta nele uma vontade incontrolável de se deitar com ela, mas esconde do pobre homem o grande sofrimento e o arrependimento que o rei teria em seguida (2Sm 11.1-12.25).
    O enganador mostra ao jovem carente de juízo, a cama arrumada e perfumada da linda mulher adúltera cujo o marido está viajando, mas não deixa o rapaz saber que ele é “como o boi que vai para o matadouro” ou “como a corsa que corre para a rede até que a flecha lhe atravesse o coração” (Pv 7.1-27).
    O enganador mostra o estranho prazer das compras, das possessões, das riquezas, mas oculta o vazio de tudo isto, a eterna mesmice da vida desligada de Deus e a vaidade de tudo (Ec 1.1-6.12).
    O enganador mostra o argueiro que está no olho do outro, mas não deixa você ver a trave que está em seu próprio olho (Mt 7.3).
    O enganador mostra a porta larga e o caminho espaçoso, a quantidade enorme de pessoas que entram por ela e a pesquisa de opinião pública que é favorável a esta via, de forma esmagadoramente contrária à porta estreita e ao caminho apertado, mas não revela que o caminho espaçoso conduz à perdição total e irreversível (Mt 7.13-14).
    O enganador mostra que não compensa guardar puro o coração e lavar as mãos na inocência, porque os maus prosperam mais do que os bons, mas faz segredo da justiça de Deus que, se não galardoa o justo nesta vida, há de dar-lhe salvação eterna e galardão eterno (Sl 73 1-28).
    O enganador é capaz de mostrar a glória dos reinos deste mundo (Mt 4.8) e esconder  a glória de Jesus Cristo (2Co 4.4).
    O enganador mostra a leve e momentânea tribulação a que estão sujeitos os seguidores de Jesus, mas nem sequer faz referência ao eterno peso de glória,
acima de toda a comparação que lhes há de acompanhar (2Co 4.17).
    O enganador mostra o poder de seus magos em transformar com ciências ocultas, varas em cobras, mas esconde a cena seguinte que mostra a vara de Arão devorando as varas deles (Êx 7.8-13).
    O enganador mostra o Jesus desfigurado sem aparência nem formosura, desprezado e rejeitado por todo mundo (Is 53.2), montado num jumentinho, ridicularizado, pregado numa cruz entre dois criminosos e abandonado por seus discípulos, mas omite a rasgadura do véu do templo, o túmulo vazio, as aparições de Jesus com muitas provas incontestáveis, a sua ascensão e seu segundo advento “em grande poder e glória” (Mt 24.30).
    O enganador pode até se dar ao luxo de mostrar a bondade de Deus com palavras encantadoras e exemplos históricos, mas não abre a boca para apresentar o outro lado da moeda, a severidade de Deus, no intuito de fazer desaparecer o temor do Senhor por meio do qual os homens evitam o mal (Rm 11.22; Pv 16.6).
    Em sua peregrinação por este mundo, tome cuidado para não contratar o pior guia turístico de todos os tempos. Jesus mandou que ele se retirasse de sua frente.
Faça você o mesmo!

 

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