quarta-feira, 8 de maio de 2013

A influência da Teologia da Libertação na Doutrina Social da Igreja na AL

Por Rafael Jácome


       Nestes dias fui abordado sobre a atuação e influência dos teólogos e das ações da Teologia da Libertação na Doutrina Social da Igreja na América Latina. Busquei nos meus arquivos e encontrei este escrito, que em poucas palavras descreve as principais influências desta teologia que marcou a história dos movimentos sociais ligados a igreja e a esquerda do continente.
       Analisemos alguns pontos da Teologia da Libertação, sem estudos aprofundados, mas explorando alguns temas defendidos pelos mesmos:
        A Teologia da Libertação e a Igreja na América Latina animada pelas reuniões de Medellin e Puebla buscavam a resposta de como ser cristão num mundo de pobres e como fazer com que a fé cristã fosse fermento de promoção e libertação humana. Era importante encontrar o equilíbrio onde a fé não se diluísse numa ideologia libertária, mas que se conservasse como a história. Leonardo Boff um dos principais teólogos da libertação, declarava que os bispos aprofundaram a opção pelo povo e pelo pobre, onde a partir do lugar do explorado analisavam a realidade sócio-econômica e religiosa, detectavam o profundo e crescente abismo entre ricos e pobres e profeririam uma palavra profética e evangélica, postulando inovações estruturais em nossa sociedade. 
        No contexto da dimensão social a situação era caracterizada por Puebla de “pecado social” (n.17) e de “permanente violação da dignidade social” (n.22), a posição era o combate: “A igreja condena aqueles que tendem a reduzir o espaço da fé ávida pessoal ou familiar, excluindo a ordem profissional, econômica, social e política, como se o pecado, o amor, a oração e o perdão não tivessem aí relevância” (n.381). Na realidade a busca era “encontrar os melhores passos que conduzissem à paz da sociedade e à conversão do coração de cada homem. A consciência mais aguda do caráter oneroso do caminho, dos possíveis desvios, retrocessos e emperramentos, nos pode conferir mais humildade e temperança em nossas afirmações”. Declarava Leonardo Boff.
        Para as questões latentes dos textos de Puebla, os teólogos da libertação eram a favor da contribuição da tradição marxista na análise da realidade. Pegando carona no método de Paulo Freire do ver, julgar e agir, partia-se da percepção e análise da realidade (social). Em tese, consistia que na medida em que a consciência se torna crítica, supera o mero empirismo (descrição e justaposição dos fatos) e o simples funcionalismo (considera a sociedade a partir das instituições e das distintas funções ou disfunções) e chega a uma análise mais estrutural e dialética da realidade, de modo especial aos conflitos sociais, onde as forças produtivas questionam as relações de produção.

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