sexta-feira, 17 de maio de 2013

Na sua fragilidade o homem criou os seus deuses

Por Rafael Jácome


     Por se sentir inútil e incapaz de reverter aquilo que lhe é superior aos seus limites, por perceber sua fragilidade diante dos acontecimentos cotidianos, o homem nunca é satisfeito com sua natureza. Biologicamente é carente e deve aprender tudo, trabalhando de forma criadora para sobreviver. Num cenário repleto de fenômenos sociais, culturais e econômicos, desde sua era pré-histórica buscou em outras dimensões as respostas para os seus conflitos: a criação de seres superiores, fortes, sentimentais, amantes, vingativos, próximos aos sentimentos humanos e repletos dos mesmos anseios, fantasias e ilusões. Para representá-los foram criadas imagens, sendo meras imitações de criaturas e feitas de materiais sem vida: deuses de fundição, de ouro, de pedra, de madeira e de outras matérias.
         
   Em seus deuses o homem encontrou a onipresença, a fortaleza, a 
beleza, a força, o poder, a imortalidade,... Insatisfeito com sua natureza desde o passado remoto imaginou e desenvolveu a reflexão, ou seja, a capacidade para traduzir em símbolos a realidade material do mundo que o envolvia, e, percebeu que a vida é marcada pela miséria e dor. Diante da sua      incapacidade de lidar com o mistério da vida, homens e mulheres começaram a adorar deuses através de imagens, principalmente devido à natureza dos rituais pagãos na adoração. Então, o fato da miséria, da dor, da mortalidade e demais fatores característicos da sua natureza, conduziu a dificultar e querer aceitar a realidade de ser capaz de criar, pensar e agir no mundo, porém, sendo condenado à velhice e a morte. É como entender que o seu corpo é inadequado em relação a sua capacidade intelectual, onde os seus sonhos, as suas vontades e desejos não podem ser transformados, porque assim foi determinado, e, mesmo combatendo, aceita-a como ela é. A vida é vista como um mistério, onde assim como a respiração é o sopro dos deuses que cria, renova e vivifica.

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