sexta-feira, 17 de maio de 2013

O Poder da palavra 2

Por Rafael Jácome


         Alguns meses atrás, eu publiquei um artigo falando sobre o poder das palavras. A minha esposa sempre ressalta que ela pode tanto abençoar, como amaldiçoar, basta perceber o sentido como ela é exposta. Mas, a palavra sempre é uma ferramenta complexa onde nem sempre denota um sentido óbvio e único, mas que pode muitas vezes ser um instrumento de controvérsias e mal-entendidos. Entretanto, ela tem o poder de transformar o que não existe em realidade e de dar a aparência de irrealidade ao que realmente existe. 

          No cristianismo a relação com Deus é caracterizado pelo amor, e Deus é amor, e, Sua Palavra é a verdade. Como para o fiel toda verdade tem de ser divina (se algo é verdade, não pode provir do “pai da mentira”), toda verdade é, de fato, expressão da Verdade. Não pode haver duas verdades, uma natural e outra sobrenatural. Mas o objetivo do amor é fazer com que o ego seja em algum sentido aniquilado. No diálogo ou o amor, o egoísmo é uma possibilidade perpétua. “A própria linguagem pode ser um dom restritivo, sempre que nos prende aos conceitos de nossa experiência mundana.” (Armstrong, Karen – Uma História de Deus, 1994)

           Se a relação ocorre através do diálogo e do amor e no meio existe a Palavra – foco principal de devoção deste relacionamento, o egoísmo impera nas falhas e trágicas condições de vida terrena quando a Palavra é substituída pelas palavras. Assim encontramos a explicação das guerras entre os povos, das guerras santas, da opressão das nações, das misérias,... A palavra gera o amor e pode perpetuar o egoísmo. Yasser Arafat definiu bem: “A palavra é a maior arma”.

          Na tragédia Otelo, de Shakesperare, o mouro Otelo, apaixonado loucamente por sua jovem esposa, Dêsdemona, acaba assassinando-a porque foi convencido por Iago de que ela o traia. Tudo foi tramado por ele por inveja de outro membro da corte que iria ganhar cargos dado por Otelo. Tomando a mentira pela verdade, Otelo destruiu a pessoa amada, que morreu afirmando sua inocência. Iago construiu a mentira despertando o ciúme em Otelo, caluniando. Ele usou a linguagem, isto é, palavras falsas que envenenaram o espírito de Otelo.

          Podemos pensar: como é possível que as palavras tenham o poder para transformar o verdadeiro, falso, e tornar o falso, verdadeiro? Utilizando a ferramenta “mentira”. Ela produz a ansiedade: “Na verdade somos culpados, no tocante a nosso irmão, pois lhe vimos a angústia da alma, quando nos rogava, e não lhe acudimos, por isso, nos vem esta ansiedade” (Gn 42.21) Foi o que sentiram os irmão de José.

          A verdade é em Deus e Ele anseia por homens de verdade: “Procura dentre o povo homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza.” (Ex 18.21) A nossa relação com Deus é baseada na verdade: “Eis a Rocha! Suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são juízo; Deus é fidelidade, e não há nele injustiça, é justo e reto.

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