sábado, 8 de junho de 2013

A Justificação pela fé.3 - Sobre a justiça transferida

Por Rafael Jácome

 Publicarei aos meus leitores um estudo sobre a Justificação nas óticas dos dois principais reformadores Lutero e Calvino. A fonte é uma tese de Heber Carlos de Campos e assim como ele, " Este trabalho é apenas uma tentativa de ser justo com ambos os ramos do protestantismo. Não é meu propósito argumentar extensivamente a favor ou contra luteranos e ou reformados. Meu único propósito é apresentar com precisão as similaridades e diferenças presentes, sem fazer neste trabalho extensiva justificativa bíblica. Será apenas uma apresentação histórico-teológica do assunto sem, contudo, ter uma conotação apologética, ..."

4. Sobre a Justiça Transferida

Trento afirmava que a santificação era seguida da justificação. A justificação é o resultado da justiça infusa (não imputada) de Cristo. A justiça é antes transformadora do indivíduo do que creditada a ele. Na verdade, o pecador é justificado com base em uma justiça interna (iustitia in nobis) do que por uma justiça que vem de fora. Em resumo, na teologia Católica, a justiça é dada ao justo antes que ao pecador.
Novamente contra as investidas Católicas, os protestantes afirmavam uma justiça que vem de fora deles, uma justitia extra nos, vinda da imputação da justiça de Cristo.
A teologia luterana diz que a "justiça concedida ao pecador não é sua própria, produzida por ele mesmo, mas uma ‘justiça que vem de fora pertencente a Jesus Cristo. A justiça não é uma qualidade do homem. Ela consiste antes em ser justo somente através da imputação graciosa da justiça de Cristo, isto é, uma justiça ‘fora’ do homem."
Semelhantemente, Calvino enfatizou a iustitia aliena, isto é, a justiça que vem de outro, que vem de fora. Embora como Lutero Calvino use a frase "pela fé somente", ele é cuidadoso em dizer também que a fé não efetua de si mesma a justificação, mas entende que a fé é o meio pelo qual nos apropriamos da justiça de outro, que é transferida a nós. Ele diz: "Não há nenhuma dúvida de que aquele que é ensinado procurar justiça fora de si próprio é destituído de justiça em si mesmo." Mais adiante, Calvino diz: "Você pode ver que nossa justiça não está em nós, mas em Cristo, e que a possuimos somente sendo participantes em Cristo; de fato, com ele possuimos todas essas riquezas."

A justiça de Cristo, portanto, é ensinada como sendo imputada a nós. A justificação do ímpio vem de fora dele, iustitia extra nos, procedendo da justiça de Cristo. Ambas as tradições enfatizam a justiça que não é própria do homem, mas vem de fora, transferida de Jesus Cristo para nós.

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