sábado, 8 de junho de 2013

Diferença entre luteranos e calvinistas - Justificação

Por Rafael Jácome
Fonte: Heber Carlos de Campos

4. Diferença Quanto à Relação entre a Justificação e os outros

Aspectos da Soteriologia

Como a doutrina da justificação é o articulus stantis et cadentis ecclesiae, o artigo central da fé luterana, todos os outros aspectos da soteriologia são estudados à luz do conceito da justificação, e mesmo alguns luteranos dizem que a justificação é sinônima de regeneração, redenção, etc, seguindo os ensinos de suas Confissões.
Quando os teólogos luteranos tratam desta matéria, a palavra ‘justificação’ assume uma conotação diferente, não ligada estritamente aos termos bíblicos e forenses. Teologicamente (ou em seu "sentido doutrinário"), o termo ‘justificação’ é diferente e mais amplo(44) "contendo muito mais significação por detrás de si do que mesmo os vocábulos do hebraico e do grego."(45) Aqui, a justificação é usualmente sinônimo de Evangelho num sentido mais estrito.
Os teólogos reformados não fazem distinção entre a justificação num sentido mais estrito e num sentido mais amplo. Eles não usam metáforas ou outra coisa qualquer para expressar a identidade da justificação com outras matérias soteriológicas. Eles dizem, contudo, que a justificação é um aspecto do processo total da restauração do pecador, mas por causa da sua importância doutrinária, a justificação é relacionada intimamente com todos os outros aspectos da soteriologia. Por exemplo, a regeneração não é uma "metáfora" para justificação, mas ela é absolutamente ligada à regeneração, sendo que esta última causa mudança na vida do pecador enquanto que a primeira causa mudança no modo de Deus tratar o pecador.

Não existe qualquer diferença entre "um sentido doutrinário" mais amplo e um significado mais limitado do entendimento exegético dos vocábulos, na teologia reformada. A ênfase da teologia reformada é apenas no aspecto forense da justificação e, portanto, mais relacionado ao aspecto exegético do significado dos vocábulos nas línguas originais. Por esta razão, há uma relacionamento próximo entre a justificação e os outros aspectos soteriológicos, mas não há nenhum sentido mais amplo de justificação como o que está presente nas Confissões Luteranas.

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