sábado, 8 de junho de 2013

Diferença Quanto à origem e os elementos Constitutivos da fé justificadora

Por Rafael Jácome
Fonte: Heber Carlos de Campos

5. Diferença Quanto à Origem e os Elementos Constitutivos da Fé Justificadora

Ambas as tradições crêem que Cristo é o objeto de nossa fé. Contudo, é necessário entender que devemos saber algumas coisas do que ele disse e do que ele fez, que estão registradas no Evangelho. Por esta razão devemos crer no evangelho. Neste sentido, o Evangelho é também o objeto de nossa fé.
Ambas as tradições também crêem que a fé é gerada no coração dos homens pela obra do Espírito Santo, mas a questão a respeito dos instrumentos que causam a fé levanta algumas diferenças entre elas:

Sobre a Origem da Fé Justificadora

Na tradição luterana, a fé é gerada através da pregação do Evangelho e através da administração dos sacramentos, batismo e eucaristia.(46)
Na tradição reformada, a fé vem como resultado da obra do Espírito, apenas através da pregação do Evangelho, e não através do batismo (ou outro sacramento), como é crido na tradição luterana.

Sobre os Elementos Constitutivos da Fé Justificadora

O que faz a diferença entre as duas tradições são os elementos constitutivos da fé justificadora.
A teologia reformada crê que a fé justificadora sempre deve conter um elemento intelectivo. Aquele que crê tem que possuir algum conhecimento daquele em quem crê e daquilo que ele disse e fez. Quando um infante, de absoluta tenra idade, é batizado, ele não tem a capacidade de entender nada daquilo que é feito com ele, nem a capacidade de entender algo a respeito de Cristo ou de sua obra, ou ainda de suas palavras. Os reformados batizam os seus infantes, mas o batismo não gera fé nos corações deles, porque na fé justificadora, de acordo com a teologia reformada, os três elementos devem estar presentes: intelectivo, emocional e volitivo. Contudo, no batismo dos filhos pequeninos, estes elementos não podem estar presentes. Portanto, o sacramento em si mesmo, não gera fé neles. Eles são batizados, não porque crêem ou porque o sacramento gera algo neles, mas porque são herdeiros das promessas, pois Deus diz que abençoaria os crentes e os seus filhos, sendo a promessa de salvação para os do pacto e de sua descendência.
A teologia luterana, contudo, não dá ênfase a esses três elementos, especialmente no caso do batismo dos infantes. O elemento mais importante para ela é a "fiducia", a confiança do coração, que certamente acontece no coração de quem é batizado, mesmo quando ainda na mais tenra idade. Um dos mais representativos teólogos luteranos, ainda estudado e aceito nos círculos luteranos, disse que fiducia é: o ato apresentado pelo homem, esteja ele dormindo ou acordado, seja ele adulto ou criança, seja debaixo de circunstâncias normais quando ele está cônscio de sua fé ou nas horas mais severas de provação quando ele imagina que perdeu a sua fé.(47)
Por essa razão é crido que fiducia pode acontecer no coração de um infante quando o sacramento do batismo é ministrado.
Essa questão sobre os elementos constitutivos da fé faz uma enorme diferença quando se trata do assunto da justificação subjetiva. Em outras palavras, segundo a tradição luterana, todos os infantes que são devidamente batizados são justificados subjetivamente, porque o elemento fiducia já está presente no coração deles, independente de qualquer entendimento que eles possam ter daquilo que objetivamente Jesus Cristo fez por eles. Na fé reformada, contudo, o elemento fiducia aparece quando há o devido entendimento da mensagem que é proclamada, porque a fé vem pelo ouvir da pregação. Portanto, somente aqueles que crêem pessoalmente é que são justificados subjetivamente, e eles crêem simplesmente porque entendem aquilo que lhes é pregado. O elemento intelectivo (juntamente com os outros dois) é extremamente importante para que haja fé. A fé não é cega, ela pressupõe um conhecimento de Cristo. Quando alguém crê no que é pregado, por graça divina, esse conhecimento se torna salvador. Aí, então, acontece a justificação subjetiva.

Um outro aspecto importante da tradição reformada é que, quando um infante morre, ele não precisa ser justificado subjetivamente, porque a fé só é necessária para que se desfrute a salvação neste presente mundo. Já que a criança não vai desfrutar da salvação nesta vida presente, ela não necessita de fé.

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