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Papa Bento XVI vai renunciar a seu pontificado em 28 de fevereiro.
Bento XVI anunciou a renúncia pessoalmente, falando em latim,
durante o consistório para a canonização de três mártires.
O Vaticano afirmou que o papado, exercido por Bento XVI desde
2005, vai ficar vago até que o sucessor seja escolhido, o que se
espera que ocorra “o mais rápido possível”, segundo o porta-voz
Federico Lombardi. O últmo precedente parecido da renúncia de um Papa
remonta à Idade Média, no ano de 1294, quando Celestino V abdicou
antes de ser consagrado.
Em comunicado, Bento XVI, que tem 85 anos, afirmou que vai
deixar a liderança da Igreja Católica Apostólica Romana devido à
idade avançada, por "não ter mais forças" para exercer as
obrigações do cargo. O Vaticano negou que uma doença tenha sido o
motivo da renúncia. O pontífice afirmou que está "totalmente
consciente" da gravidade de seu gesto. "Por essa razão, e
bem consciente da seriedade desse ato, com total liberdade declaro
que renuncio ao ministério como Bispo de Roma, sucessor de São
Pedro", disse Joseph Ratzinger, segundo comunicado do Vaticano.
São Pedro liderou cristãos romanos, mas nunca foi papa, dizem
historiadores
Na época do santo, liderança das igrejas cristãs era
'compartilhada' por anciãos. Papado 'monárquico' surgiu séculos mais
tarde; martírio em Roma é provável.
Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo
Católicos do mundo todo vêem São Pedro como o protótipo dos
papas, o homem que fundou a sucessão ininterrupta de líderes da
Igreja que chega até Bento XVI, mas o papel real do "príncipe
dos apóstolos" provavelmente foi bem mais modesto, afirmam
historiadores. Embora seja bem possível que Pedro tenha vivido, pregado
e morrido em Roma, ele não fundou um governo centralizado da igreja
romana, o qual demorou séculos para emergir.
Mais importante ainda, embora a igreja de Roma tenha
conquistado desde cedo uma posição de destaque entre as comunidades
cristãs espalhadas pela bacia do Mediterrâneo, as outras igrejas não
creditavam o prestígio romano ao "papado" de Pedro, mas ao
fato de que tanto ele quanto seu companheiro de apostolado, São
Paulo, haviam pregado a palavra de Jesus e morrido em Roma. É o que
diz um texto escrito por volta do ano 180 pelo líder cristão Irineu
de Lyon.
Segundo Irineu, a comunidade de Roma havia sido "fundada
e organizada pelos dois gloriosos apóstolos, Pedro e Paulo".
"Para Irineu, a competência da igreja de Roma provinha de sua
fundação pelos dois apóstolos, Pedro e Paulo, não só por Pedro", resume o historiador irlandês
Eamon Duffy, da Universidade de Cambridge, em seu livro "Santos
e Pecadores: História dos Papas".
Na verdade, a situação era ainda mais complicada do que Irineu
imaginava. Tudo indica que a comunidade cristã de Roma foi fundada
por um anônimo seguidor de Jesus, provavelmente um judeu da Palestina
que se juntou aos dezenas de milhares de membros da comunidade
judaica da capital do Império Romano. São Paulo, ao escrever para os
cristãos de Roma na década de 50 do século 1, em nenhum momento
menciona a presença de Pedro na cidade.
No entanto, sabemos pelos Atos dos Apóstolos, livro do
Novo Testamento escrito no fim do século 1, que Paulo acabou indo
para a cidade para ser julgado pelo imperador romano num processo que
estava sofrendo. E outros textos, também do fim do século 1 e começo
do século 2, dão conta de que tanto Paulo quanto Pedro foram mortos durante
a perseguição contra os cristãos ordenada pelo imperador Nero entre
os anos 64 e 67. A tradição sobre o martírio é relativamente próxima
dos eventos, embora não esteja registrada na Bíblia.
(Fonte: G1 – Portal de
notícias da Globo)
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