Por Rafael Jácome
Fonte: Heber Carlos de Campos
Fonte: Heber Carlos de Campos
5. Sobre o Papel da Fé na Justificação
O papel da fé na justificação também trouxe
controvérsia dos Reformadores contra Roma. Esta negava que havia a justificação
pela fé que recebe e descansa em Cristo somente para a salvação, tal como ela é
livremente oferecida no Evangelho. Roma ensinou que o pecador é justificado
pela fé em Cristo, mas é uma fé informada pelo amor, sendo o gérmen de uma nova obediência. Essa fé é infusa no coração
do homem quando do batismo dos infantes, de forma que ela apaga o pecado
original. Esse tipo de fé foi rejeitado pelos Reformadores, porque ela não
somente é infusa, mas porque ela exala algum tipo de necessidade de boas obras
que estão contidas nessa fides caritate formata.
Para o luteranismo, a fé tem um papel muito
diferente, porque é diferente o conceito de fé. Ela é preponderante na
justificação, dentro da tradição luterana. "A fé que justifica, contudo,
não é um mero conhecimento histórico, mas uma aceitação firme da oferta de Deus
de prometer o perdão dos pecados e a justificação. ...Fé é aquela adoração que
recebe as bênçãos que são oferecidas por Deus."
Dentro da tradição luterana, a fé vem em oposição
aos que confiavam na guarda da lei como base para a justificação. A Apologia
da Confissão de Augsburgo diz que: a obediência da lei justifica pela
justiça da lei. Mas Deus aceita esta justiça imperfeita da lei somente por
causa da fé... Disto fica evidente que somos justificados diante de Deus pela
fé somente, visto que pela fé somente recebemos o perdão dos pecados e a
reconciliação em nome de Cristo... Portanto, ela (justificação) é recebida pela
fé somente, embora a guarda da lei siga com o dom do Espírito Santo.
Para o Calvinismo, a fé tem também um papel
importantíssimo. É pela fé somente que o homem é justificado, mas a fé em si
mesma não justifica. Através dela o homem abraça a Cristo por cuja graça somos
justificados. "É dito da fé que ela justifica porque ela recebe e abraça a
justiça oferecida no Evangelho."
Osiander, contra quem Calvino se insurgiu, havia
dito erroneamente que a "fé é Cristo". Em resposta a ele, Calvino
disse que "a fé, que é o único instrumento para receber a justiça, é
ignorantemente confundida com Cristo, tornando-o a causa material e ao mesmo
tempo o Autor e Ministro deste grande benefício." A fé para Calvino era apenas a causa instrumental
da justificação.
Somente Deus justifica. Então, nós transferimos
esta mesma função a Cristo porque a ele foi dado ser nossa justiça. Comparamos
a fé a uma espécie de vaso. A menos que venhamos esvaziados e com a boca de
nossa alma aberta para procurar a graça de Cristo, não seremos capazes de
receber Cristo.
Para ambas as tradições, portanto, a fé não é a
base para a justificação, mas simplesmente o meio, o órgão de apropriação, ou o
instrumento dela. Pela fé somente o pecador toma posse de todas as bênçãos da
justificação.
Nenhum comentário:
Postar um comentário