Por Rafael Jácome
Fonte: Heber Carlos de Campos
Fonte: Heber Carlos de Campos
5. Diferença Quanto à Origem e os Elementos Constitutivos da Fé Justificadora
Ambas as tradições crêem que Cristo é o objeto de
nossa fé. Contudo, é necessário entender que devemos saber algumas coisas do
que ele disse e do que ele fez, que estão registradas no Evangelho. Por esta
razão devemos crer no evangelho. Neste sentido, o Evangelho é também o objeto
de nossa fé.
Ambas as tradições também crêem que a fé é gerada
no coração dos homens pela obra do Espírito Santo, mas a questão a respeito dos
instrumentos que causam a fé levanta algumas diferenças entre elas:
Sobre a Origem da Fé Justificadora
Na tradição luterana, a fé é gerada através da
pregação do Evangelho e através da administração dos sacramentos, batismo e
eucaristia.(46)
Na tradição reformada, a fé vem como resultado da
obra do Espírito, apenas através da pregação do Evangelho, e não através do
batismo (ou outro sacramento), como é crido na tradição luterana.
Sobre os Elementos Constitutivos da Fé Justificadora
O que faz a diferença entre as duas tradições são
os elementos constitutivos da fé justificadora.
A teologia reformada crê que a fé justificadora
sempre deve conter um elemento intelectivo. Aquele que crê tem que possuir
algum conhecimento daquele em quem crê e daquilo que ele disse e fez. Quando um
infante, de absoluta tenra idade, é batizado, ele não tem a capacidade de
entender nada daquilo que é feito com ele, nem a capacidade de entender algo a
respeito de Cristo ou de sua obra, ou ainda de suas palavras. Os reformados
batizam os seus infantes, mas o batismo não gera fé nos corações deles, porque
na fé justificadora, de acordo com a teologia reformada, os três elementos
devem estar presentes: intelectivo, emocional e volitivo. Contudo, no batismo
dos filhos pequeninos, estes elementos não podem estar presentes. Portanto, o
sacramento em si mesmo, não gera fé neles. Eles são batizados, não porque crêem
ou porque o sacramento gera algo neles, mas porque são herdeiros das promessas,
pois Deus diz que abençoaria os crentes e os seus filhos, sendo a promessa de
salvação para os do pacto e de sua descendência.
A teologia luterana, contudo, não dá ênfase a esses
três elementos, especialmente no caso do batismo dos infantes. O elemento mais
importante para ela é a "fiducia", a confiança do coração, que
certamente acontece no coração de quem é batizado, mesmo quando ainda na mais
tenra idade. Um dos mais representativos teólogos luteranos, ainda estudado e
aceito nos círculos luteranos, disse que fiducia é: o ato apresentado
pelo homem, esteja ele dormindo ou acordado, seja ele adulto ou criança, seja
debaixo de circunstâncias normais quando ele está cônscio de sua fé ou nas
horas mais severas de provação quando ele imagina que perdeu a sua fé.(47)
Por essa razão é crido que fiducia pode
acontecer no coração de um infante quando o sacramento do batismo é ministrado.
Essa questão sobre os elementos constitutivos da fé
faz uma enorme diferença quando se trata do assunto da justificação subjetiva.
Em outras palavras, segundo a tradição luterana, todos os infantes que são
devidamente batizados são justificados subjetivamente, porque o elemento fiducia
já está presente no coração deles, independente de qualquer entendimento que
eles possam ter daquilo que objetivamente Jesus Cristo fez por eles. Na fé
reformada, contudo, o elemento fiducia aparece quando há o devido
entendimento da mensagem que é proclamada, porque a fé vem pelo ouvir da
pregação. Portanto, somente aqueles que crêem pessoalmente é que são
justificados subjetivamente, e eles crêem simplesmente porque entendem aquilo
que lhes é pregado. O elemento intelectivo (juntamente com os outros dois) é
extremamente importante para que haja fé. A fé não é cega, ela pressupõe um
conhecimento de Cristo. Quando alguém crê no que é pregado, por graça divina, esse
conhecimento se torna salvador. Aí, então, acontece a justificação subjetiva.
Um outro aspecto importante da tradição reformada é
que, quando um infante morre, ele não precisa ser justificado subjetivamente,
porque a fé só é necessária para que se desfrute a salvação neste presente
mundo. Já que a criança não vai desfrutar da salvação nesta vida presente, ela
não necessita de fé.
Nenhum comentário:
Postar um comentário