Por Rafael Jácome
Estrabão (63 a.C - 24 d.C) foi
um historiador, geógrafo e filósofo grego. Foi o autor da monumental
Geographia, um tratado de 17 livros contendo a história e descrições de povos e
locais de todo o mundo que lhe era conhecido à época. Apesar de inúmeros erros,
sua Geographia foi, juntamente com a de Ptolomeu a primeira obra desse gênero
herdada da antiguidade. Histórias, religião, costumes locais e as instituições
de diferentes povos estão misturados às descrições geográficas. Nesse sentido é
considerado o fundador da perspectiva idiográfica, de estudo geográfico, a qual
consiste em revelar as particularidades regionais.
O grande geógrafo
e historiador Estrabão que dispunha de todas as fontes de informações de sua
época, nada sabia a respeito das escrituras sacras dos judeus, do Gênese, dos
seus patriarcas, de sua cronologia. Mas não obstante tudo isso, encarou e
descreveu a história dos judeus. Não precisa ressaltar o que foi criado, mas de
qualquer forma os relatos provam que, na sua época, pouco se sabia a respeito
do povo judeu.
De acordo com
Estrabão, tribos mestiças habitavam a Judeia, gente de origem egípcia, árabe e
fenícia, conforme diz o nosso informante. O etnólogo moderno diria ainda que lá
viveram também aborígenes asiáticos, semelhantes aos subaréus assírios e ainda
hititas, churitas e filistinos egeus. Uma confusão babilônica em pequena
escala, pois, como se dava em toda a parte do Oriente Próximo. Embora os judeus
sejam povo de origem tão complexa, alguns cientistas modernos alimentam opinião
que eles sejam descendentes dos Egipcios, como por exemplo, Sigismundo Freud,
pai da Psicanálise.
Estrabão relatou o episódio da fuga do
Egito. Segundo ele: Moisés, sacerdote egípcio, que também governava uma
província, emigrou de lá porque as condições imperantes não lhe agradavam.
Muitos, impelidos por nativos religiosos semelhantes, acompanharam-no. Acontece
que Moisés dizia e ensinava que não era justo os egípcios elevarem à divindade
produtos da criação de gado, como também não achava certo que os helenos
emprestassem a seus deuses forma humana. Dizia existir um só Deus, Pai de todos
nós, criador de tudo – da terra e do mar, daquilo que chamamos de céu e de
edifício terráqueo de toda a natureza. Que homem sensato, dizia Moisés, pode
tentar representar tal espírito em forma humana? Concluia, pois, que se devia
deixar de querer representar Deus e que se deviam erigir em sua honra templos
sem imagens.
Continuava
afirmando que Moisés havia convencido não poucos homens bem intencionados,
ensinou-lhes o seu monoteísmo e levou-os à Palestina, que como bem dizia: terra
tão pouco invejável que dificilmente alguém quereria lutar seriamente por causa
dela. Descreveu a Terra Prometida como seca e rochosa; dizia, porém, que os
seguidores de Moisés assim mesmo gostaram dela, principalmente porque ali podiam
seguir o rito, que não lhes exigia tributos monetários, nem os incomodava com
hábitos de mau gosto. Todos os povos vizinhos acompanharam os recém chegados,
em parte por razões de intercâmbioo, mas também por causa das promessas que sua
religião apresentava. Assim formou-se o Reino dos Judeus, que não desmerece a
atenção.
De início, diz
Estrabão, os judeus foram honestos e temiam seu Deus. Mas não demorou muito
para que o monoteísmo importado do Egito degenerasse: profetas supersticiosos
tornaram-se sacerdotes, os sacerdotes passaram a ser tiranos, que inquietavam
sua própria terra, bem como os vizinhos, faziam expedições de pilhagem em
países estranhos e apropriaram-se de muito que pertencera aos sírios e
fenícios. O historiador heleno refere-se à época que a Bíblia descreve, no
Livros dos Juízes, nos Livros de Samuel e nos Livros dos Reis, e a homens como
Davi e Salomão, pois foram, a seu ver, conquistadores tirânicos. O que o autor
menciona sob o termo superstição foi a abstinência de certos alimentos que
ainda hojé é hábito dos judeus, a circuncisão e outros hábitos característicos,
bem como o fato de que os judeus não somente não detestam sua capital por ser
sede do tirano, mas, pelo contrário, dedicam-lhe veneração e consideram-na
santa por ser Templo do Senhor.
Avaliando nos
dias atuais este capítulo do livro de Estrabão, podemos nos decepcionar devido
aos absurdos de misturas de lendas, mal entendidos, meias verdades e mentiras.
Estrabão chegou a afirmar que: Moisés e os continuadores da sua obra eram
supersticiosos, assim como os mágicos e médiuns persas, os que predizem o
futuro, olhando a água, os feiticeiros caldeus na Assíria. Concluiu os seus
comentários da seguinte forma: A causa deles não começava mal, mas transformava-se
em maldade. Termina com a seguinte observação pessimista e autocrítica: mas
os homens são assim mesmo e isso é comum aos helenos tão bem como aos bárbaros.
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