Por Rafael Jácome
Adaptação do texto Tudo começou em Babel
Adaptação do texto Tudo começou em Babel
No ano 104 d.C , Gaio Plinio Cecílio Segundo,
sobrinho e filho adotivo do grande Plinio que até hoje é considerado como o
maior naturalista romano, escreveu carta muito preocupada a seu Imperador
Trajano, solicitando instruções para agir contra uma seita depravada e
sonhadora, existente na província de Betânia, cuja superstição é contagiosa.
Entre outras coisas Plínio escrevia o seguinte:
Não tendo nunca assistido ao
interrogatório dos tais cristãos, desconheço os métodos a serem usados e não
sei dentro de que limites devo permanecer, nem como conduzir o interrogatório
ou as penas a que devem ser condenados. Não se deve levar em conta a idade? Não
se deve usar critério outro, quando lidando com adultos e quando com menores? É
admissível perdoar os penitentes ou não adianta nada a um homem, que já foi
cristão, abjurar? Se uma pessoa apenas professa ser cristão sem cometer crime
algum deve ser punido, ou são apenas os respectivos crimes puníveis?
Em seguida, Plínio descreve a maneira
como, até então, procurava solucionar o caso. Mencionou a torrente de denúncias
que recebia, desde que começou a se ocupar com o problema, e disse que mandava
afixar publicamente os nomes das pessoas denunciadas como cristãos, e
submetia-as a severo interrogatório. Quem, durante o interrogatório, apelar aos
deuses e amaldiçoar Cristo é libertado, os que não o fizeram serão justiçados.
Porque, seja a convicção deles o que for – a meu ver, gente tão obstinada e
irredutível como eles, merece ser castigada. O pior era que esta supertição
maléfica não se limita às cidades, mas já se espalha pelas vilas e pelo campo.
É possível, porém, achava Plínio, impedir o alastramento por da tortura, é
possível também curar os homens, deixando aberto o caminho ao arrependimento.
Esta carta é importantíssimo documento
histórico que tem alto interesse de atualidade. Entendemos pela carta que o
crisstianismo, que inicialmente não fora senão, pequeno grupo dissidente do
judaísmo, no tempo de Josefo, ou seja trinta anos após seu aparecimento, já se
tornara problema político no Império Romano. O Imperador Trajano responde de
maneira resumida e concisa instruindo-o não investigar as enfadonhas denúncias.
Se os acusados forem achados culpados deve-se aplicar o castigo; se, porém,
demonstrarem arrependimento, devem ser libertados, deixando de considerar as
suspeitas que possam pesar contra eles. Estas instruções não foram seguidas nem
naquele tempo, nem em processos posteriores que os poderes judiciais temporais
efetuaram no decorrer da história da humanidade.
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