Por Rafael Jácome
Adaptado do Texto A Tormenta na Ásia de Herbert Wendel
Adaptado do Texto A Tormenta na Ásia de Herbert Wendel
Heródoto foi um grande viajante e um
monumental historiador da sua época.
Conseguiu retratar vários monumentos históricos e as culturas das antigas civilizações. Entre seus relatos (às vezes contestados) encontramos a da Torre de Babel,
que o pai dos repórteres descreve-o assim:
Construção consistente em sete torres
sobrepostas e encaixadas uma na outra. A base tem noventa metros e cada torre
seguinte é menor que a precedente. De fora há uma escada que sobe em espiral em
torno de todas as torres, no meio dela há um espaço com bancos onde os que
sobem podem repousar. No topo da torre repousava o templo dedicado a Marduk,
Rei dos Deuses. O templo, todo azul e ouro, brilhava ao sol. O monumento havia
sofrido às mãos dos soldados de Xerxes e perdera parte de sua imponência
brilhante. Não obstante, os sacerdotes e astrônomos caldeus, encarregados da
conservação do templo, puderam contar ao viajante heleno interessantes
pormenores.
No meio do templo, assim soube Heródoto,
há uma grande cama ricamente arrumada e a seu lado está uma mesinha de ouro. A
mulher escolhida pelo deus dorme todas as noites naquela cama. Aquela mulher
que, segundo as informações dos sacerdotes, não podia ter relações com nenhum
homem mortal e tinha que estar permanentemente no leito sacrossanto em
prontidão, pois, segundo os sacerdotes, embora eu não o possa crer, eles dizem
que o deus (Marduk) vem pessoalmente ao templo, repousa no leito e de noite
tranca-se em companhia da mulher.
Tarefa muito mais desagradável esperava as
moças babilônicas no templo da deusa da fertilidade, Milita. De acordo com Heródoto
o mais repugnante hábito desta terra. As moças tinham que sentar-se no parque
pertencente ao templo, deixar passagem
entre as filas e esperar a chegada de forasteiros. Os forasteiros passavam
entre as moças e escolhiam a que lhes agradava, conta Heródoto. A moça
escolhida, o homem lançava algum dinheiro ao colo e ela era obrigada a
acompanhá-lo ao templo, entregando-se ao homem. As feias ficavam muito tempo no
parque, por vezes dois a três anos – porque não conseguiam satisfazer a lei. As
bonitas voltavam logo ao lar e não precisavam submeter-se mais, a menos que se
casassem.
O que Heródoto observou de cenho franzino
no templo de Milita era apenas reflexo atenuado de um antiquíssimo e muitas
vezes mal interpretado hábito, segundo o qual a divindade, por intermédio de um
homem anônimo, exercia o direito de “primeira noite”, a que tinha direito em relação a todas as
moças ao fim da puberdade. Também na cidade bíblica de Sodoma existia a “prostituição
da hospitalidade”, embora sob outra forma, como sabemos, através da história de Lot e suas
filhas ao receberem os enviados do Senhor.
As moças ainda tinham outros dissabores em
Babel. Os pais não as faziam casar da maneira usual em outras regiões –
levavam-nas ao mercado e vendiam-nas em leilão, sendo que o produto revertia a
uma caixa comum. Isso tinha seu motivo: jovens casadoiros, mas que não
possuíssem meios suficientes para comprar uma noiva bonita, recebiam da caixa
uma compensação, caso concordassem em levar uma jovem menos atraente. Costume
muito sábio, comentou Heródoto, esta regulamentação casamenteira, pois destarte
as meninas bonitas podem ajudar as feias e defeituosas a arranjarem um marido. Quem
sabe lá se as babilônias compartilhavam dessa opinião? Na caliça das escavações
encontraram uma tabuinha de barro em que uma jovem apaixonada gravou, há três
mil anos, a queixa eterna dos namorados “Oh, como sou triste!” Se o relato de
Heródoto corresponde à verdade, podemos bem compreender o motivo daquele
queixume.
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